Líderes republicanos na Câmara fracassam em conseguir apoio para plano fiscal

Por iG São Paulo |

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Casa Branca rejeita plano vazado por deputados dos EUA e saúda esforço do Senado por acordo para fim da crise

Líderes republicanos na Câmara dos Representantes dos EUA fracassaram nesta terça-feira (15) em conseguir apoio de membros conservadores em um plano para reabrir o governo dos EUA e evitar um calote da dívida americana que, segundo economistas, poderia lançar a economia global em uma nova recessão.

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AP
Presidente da Câmara dos EUA, John Boehner, fala com jornalistas após uma reunião com republicanos no Capitólio, Washington

Autoridades republicanas inicialmente indicaram que a Câmara estava pronta para votar mais tarde um plano diferente daquele acordado por republicanos e democratas no Senado na segunda-feira (14). Isso levou o país a ficar mais perto de resolver um amargo impasse entre os republicanos e os democratas do presidente Barack Obama sobre os gastos do governo.

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Mas o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, voltou atrás e não detalhou o plano em uma coletiva nesta manhã, dizendo apenas que ele e seus assessores estavam trabalhando em um plano que garantiria "justiça ao povo americano sob o ObamaCare".

O governo dos EUA entrou em paralisação parcial em 1º de outubro depois que os republicanos da Câmara se recusaram a aceitar uma medida de orçamento temporário para financiar o funcionamento do governo no início do ano fiscal. Inicialmente, eles exigiam que a lei da reforma da saúde de Obama fosse modificada ou adiada. Republicanos da Câmara também se recusaram a aprovar a elevação do teto da dívida - aumentar a quantia de dinheiro que o Tesouro pode pegar emprestado para pagar as contas do governo. Se até quinta-feira (17) não houver um entendimento, segundo o governo, haverá um calote.

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Geralmente, as duas medidas são aprovadas rotineiramente pelo Congresso, mas uma ala mais radical do Partido Republicano, o Tea Party, na Câmara usou as duas medidas como moeda de troca para conseguir o adiamento da lei da reforma da saúde e cortes orçamentários.

Mesmo antes do recuo de Boehner, a Casa Branca rapidamente se opôs ao plano republicano que foi vazado por autoridades na Câmara. "O presidente já disse repetidas vezes que os membros do Congresso não devem fazer exigências para cumprir as suas responsabilidades básicas de aprovar o orçamento e pagar as contas do país", disse Amy Brundage, uma porta-voz da Casa Branca. "Infelizmente, a proposta mais recente dos republicanos da Câmara faz disso uma tentativa partidária para apaziguar um pequeno grupo de republicanos da Câmara do Tea Party que forçaram a paralisação do governo em primeiro lugar."

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"Democratas e republicanos no Senado estão trabalhando em um esforço bipartidário e de boa fé para colocar fim a essa crise fabricada que já prejudicou famílias e empresas americanas", acrescentou.

Autoridades da Câmara afirmaram à Associated Press nesta terça que Boehner e outros líderes republicanos detalharam sua própria proposta que também manteria - assim como o plano do Senado - o governo funcionando até o Ano Novo e elevaria o teto da dívida até 7 de fevereiro.

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A líder da minoria na Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse que estava claro que Boehner não conseguiria apoio suficiente dos republicanos da Câmara para seu plano. O líder da maioria no Senado, envolvido nas negociações com o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, criticou o plano da Câmara como um ataque ao bipartidarismo.

"Não pode ser aprovado no Senado e não vai ser aprovado no Senado", disse Reid.

Faltando apenas dois dias para o prazo final estabelecido pelo Tesouro para o calote, assessores do Congresso previam que Reid e McConnel poderiam alcançar um acordo nesta terça, aliviando a crise que prejudicou a confiança da maior economia do mundo. Líderes republicanos da Câmara e do Senado marcaram reuniões a portas fechadas com congressistas nesta terça.

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A paralisação parcial do governo , que deixa 350 mil funcionários públicos federais de licença forçada, teve início em 1º de outubro, depois que o Congresso fracassou em aprovar uma medida para financiar temporariamente o governo.

O plano a ser considerado por Reid e McConnell não apresenta uma investida contra a lei da reforma de saúde de Obama, o que republicanos conservadores do Tea Party exigiam como condição para aprovação do orçamento temporário para manter o governo em pleno funcionamento. Também não exige cortes no orçamento exigida por republicanos em troca da elevação do teto da dívida, atualmente em US$ 16,7 trilhões.

Em vez disso, é provável que o plano endureça as exigências de comprovação de renda para americanos que se inscrevem para receber subsídios do governo sob a lei da reforma da saúde e pode revogar uma taxa de US$ 63 que as empresas devem pagar por cada um que eles cobrirem a partir de 2014.

Com AP

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