Em meio a protesto, funeral de nazista condenado por crime de guerra é cancelado

Por iG São Paulo |

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Gritando 'assassino' e 'carrasco', manifestantes italianos se reuniram em frente a local onde cerimônia seria realizada

O funeral do nazista condenado por crimes de guerra Erich Priebke foi cancelada nesta terça-feira (15) depois que a polícia impediu amigos e familiares de participar da cerimônia em meio a protestos contra a celebração, informou seu advogado.

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Manifestantes seguram cartazes do lado de fora de grupo religioso que iria realizar funeral de nazista condenado por crimes de guerra

Gritando "assassino" e "carrasco", centenas de pessoas realizaram um protesto do lado de fora do local onde seria realizado o funeral do alemão Priebke. A missa do funeral seria celebrada por um grupo católico que se opõe ao aceno do Vaticano aos judeus.

Mas o advogado de Priebke, Paolo Giachini, informou à agência Associated Press que o funeral não aconteceu "porque autoridades não permitiram que as pessoas entrassem". O caixão permaneceu dentro da sede do grupo religioso.

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A morte do alemão Priebke na sexta-feira (11) aos 100 anos provocou um debate sobre o que será feito dos seus restos mortais. O vigário do papa Francisco para Roma se recusou a realizar para ele um funeral em uma Igreja Católica e o chefe da polícia de Roma apoiou sua decisão, citando preocupações com a ordem pública.

Priebke participou de um dos piores massacres na Itália ocupada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que tirou a vida de 335 civis. A revolta contra o nazista aumentou quando ele negou a existência do Holocausto em uma entrevista.

Ninguém parecia disposto a realizar sua missa até que, em uma reviravolta surpreendente, o grupo Sociedade de São Pio 10º, na cidade de Albano Laziale, ao sul de Roma, se ofereceu para celebrar o funeral.

Conforme o carro fúnebre que levava o caixão chegou em frente às instalações da Sociedade, manifestantes bateram com os punhos e com guardas-chuvas no automóvel e gritaram: "Somos todos anti-fascistas" e "Priebke assassino".

Uma mulher desmaiou. Depois, ao menos 50 simpatizantes de Priebke se reuniram e foram contidos pela tropa de choque da polícia a 500 metros do local.

A Sociedade foi formada em 1969 em oposição às reformas modernizantes do Concílio Vaticano Segundo, particularmente no que dizia respeito à relação com os judeus. O grupo se separou de Roma depois que seu líder sagrou bispos sem o consentimento papal. Atualmente, não possui nenhum vínculo legal com a Igreja Católica.

Um de seus membros é o bispo Richard Williamson, que virou manchete em 2009 ao negar que os judeus foram mortos em câmaras de gás durante o Holocausto.

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Manifestante bate no carro fúnebre que trazia caixão de Erich Priebke para a cerimônia do seu funeral em Albano Laziale, Itália

Priebke compartilhava a mesma opinião. Em sua última entrevista divulgada por seu advogado antes de sua morte, Priebke negou que os nazistas mataram judeus em câmaras de gás e acusou o Ocidente de inventar tais crimes para encobrir atrocidades cometidas pelos Aliados durante a Segunda Guerra.

Uma vez que foi noticiado que o grupo realizaria a missa, o prefeito de Albano Laziale tentou emitir uma portaria para bloquear o caixão de chegar à cidade, mas disse que foi barrado pelo governo. O vice-prefeito Maurizio Sementelli disse que uma das razões para a indignação é que uma das vítimas do massacre era de Albano.

Priebke estava cumprindo pena de prisão domiciliar em Roma após ter sido condenado à prisão perpétua, em 1998, pela morte de 335 civis no massacre das Grutas Ardeatinas, em março de 1944.

Em março de 1944, Priebke estava no comando de tropas nazistas que executaram os 335 em retaliação à morte de 33 soldados alemães por um grupo antifascista.

Depois da guerra, ele fugiu para a Argentina, mas foi deportado para a Itália após ser entrevistado por uma emissora de TV dos EUA e ter admitido seu envolvimento no massacre, que ele disse ter sido realizado contra "terroristas".

Com AP e Reuters

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