Irã espera que reunião em Genebra resulte em roteiro para fim de impasse nuclear

Por iG São Paulo |

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Apesar de afirmação otimista, chanceler do país e principal negociador alertou que processo será complexo

O ministro das Relações Exteriores do Irã e principal negociador nuclear do país, Mohammad Javad Zarif, manifestou esperança de que Teerã possa chegar a um acordo com as potências mundiais por um roteiro para resolver o impasse nuclear, mas alertou que o processo será complexo.

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As negociações sobre o programa nuclear do Irã, que começam em Genebra na terça-feira (15), serão as primeiras desde a eleição do presidente Hassan Rouhani, um líder relativamente moderado que busca descongelar as relações do Irã com o Ocidente para conseguir o fim das duras sanções econômicas.

"Amanhã é o início de um difícil e relativamente demorado caminho a seguir. Tenho esperança que até quarta-feira nós possamos chegar a um acordo sobre um roteiro para encontrar um caminho para a solução", disse Zarif em mensagem publicada em sua página no Facebook, na noite de domingo (13).

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"Mas, mesmo com a boa vontade do outro lado, alcançar um acordo sobre os detalhes e iniciar a aplicação, provavelmente, exigirá outra reunião em nível ministerial", acrescentou.

Nações ocidentais acreditam que o programa de enriquecimento de urânio do Irã tem o objetivo de atingir a capacidade de construir armas nucleares. Teerã nega a acusação, dizendo que só quer dominar a tecnologia para gerar eletricidade e realizar pesquisas médicas.

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Atualmente, o Irã possui aproximadamente 200 quilos de urânio enriquecido a 20%, de forma que possa ser rapidamente elevado para o uso bélico, segundo a agência nuclear da ONU. Isso é próximo - mas ainda abaixo - do necessário para alimentar armas nucleares. Mas mesmo que o Irã concorde em colocar um fim na produção do urânio a 20%, elimine seu estoque de urânio a 20% e permita uma inspeção mais ampla por parte dos inspetores nucleares da ONU, as seis potências que participarão da reunião em Genebra - EUA, Reino Unido, Rússia, França, China e Alemanha - vão querer mais.

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Uma ex-autoridade de alto escalão da ONU, que agiu como intermediário entre oficiais americanos e iranianos, afirmou, em condição de anonimato, que as seis potências vão buscar um endurecimento das restrições ao programa do Irã de enriquecimento de urânio.

Especificamente, segundo a autoridade, as seis potências querem cortes significativos nas mais de 10 mil centrífugas que atualmente estão enriquecendo urânio. Isso também exige que o Irã envie para o exterior não somente o urânio enriquecido a 20%, como também os tanques com urânio enriquecido em níveis mais baixos. 

O Irã já afirmou que precisa desse material para abastecer uma rede de reatores e a televisão estatal do Irã citou no domingo o negociador Abbas Araghchi dizendo que Teerã nunca enviaria para o exterior seus materiais enriquecidos, defendendo essa postura como sua "linha vermelha".

Com Reuters e AP

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