EUA e Afeganistão precisam chegar a um acordo de segurança até o fim do mês para que tropas americanas continuem no país depois da retirada da coalizão em 2014

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, foi para o Afeganistão nesta sexta-feira (11) para um diálogo urgente com o presidente Hamid Karzai em meio à aproximação do fim do prazo para que os dois países formalizem um acordo de segurança que permita que tropas americanas continuem no Afeganistão após a retirada da coalizão liderada pela Otan no ano que vem.

Conheça a nova home do Último Segundo

Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, decola em helicóptero em Cabul, Afeganistão
AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, decola em helicóptero em Cabul, Afeganistão

Após um ano de negociações, o Acordo Bilateral de Segurança continua a sofrer com impasses entre os dois países. Os EUA querem um acordo até o fim de outubro, mas as negociações congelaram diante das exigências de Karzai para que os americanos garantam que não haverá invasão estrangeira no futuro e das exigências dos EUA para que as tropas que continuarem no Afeganistão após 2014 sejam capazes de conduzir operações de contraterrorismo.

Saiba mais: Entenda por que o Afeganistão é estratégico

Guerras: Invasões e conflitos marcam história do Afeganistão

As autoridades dos EUA afirmam estar otimistas sobre o acordo, mas o impasse levanta dúvidas de que qualquer negociação possa ser concluída até o fim do mês. Se nenhum acordo for assinado, não haverá forças americanas no Afeganistão após 2014.

Autoridades que viajavam com Kerry afirmaram a repórteres a bordo do avião do secretário que os EUA continuam a acreditar que o prazo de 31 de outubro é "factível e desejável" e que o fracasso em cumprí-lo criaria problemas significativos.

Eles disseram que a incerteza provocada pela falta de um acordo até o fim do mês tornaria mais difícil planejar as próximas etapas da retirada das tropas do Afeganistão e poderia prejudicar a determinação da Otan em deixar tropas no país para treinar afegãos.

Em 2010: EUA apresentam plano para retirada do Afeganistão em 2014

Sem os EUA, é improvável que a Otan ou qualquer um de seus aliados mantenham tropas no Afeganistão. A Alemanha já indicou que não vai disponibilizar os 800 soldados que havia prometido. "É isso que estamos pressionando", disse uma das autoridades que viajavam com Kerry.

Entretanto, as autoridades, que falaram em condição de anonimato, destacaram que Kerry não espera alcançar um acordo durante a visita. A viagem, que ficou acertada durante uma ligação telefônica entre Kerry e Karzai em 5 de outubro, é mais para preparar o terreno para os negociadores que continuarão a manter diálogo após a partida de Kerry.

Cerca de 3.390 membros da coalisão da Otan morreram desde a invasão americana, que em 7 de outubro completou 12 anos. Eles incluem ao menos 2.146 membros do Exército americano.

Estima-se que há 87 mil tropas estrangeiras no Afeganistão, incluindo 52 mil americanos. Os EUA querem manter ao menos 10 mil tropas no país após a retirada de 31 de dezembro de 2014.

Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.