Organização para a Proibição de Armas Químicas leva o Nobel da Paz 2013

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupo ficará encarregado de destruir arsenal da Síria, incluindo mais de mil toneladas de gases letais

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) venceu o prêmio Nobel da Paz de 2013 pelo seu trabalho em eliminar armamentos que assombram gerações desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) até o conflito civil na Síria. A Opaq foi formada em 1997 para impor a Convenção das Armas Químicas, o primeiro tratado que proíbe esse tipo de armamento.

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AP
Carro chega à sede da Organização Para Proibição de Armas Químicas (OPAQ), em Haia, Holanda (foto de arquivo)


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Com base em Haia, na Holanda, teve seu trabalho fora dos holofotes até esse ano, quando as Nações Unidas convocou seus especialistas para ajudar na investigação dos supostos ataques químicos na Síria.

"As convenções e o trabalho da Opaq definiram o uso de armas químicas como um tabu sob a lei internacional", disse o comitê do Nobel. "Os últimos eventos na Síria, onde as armas químicas foram novamente usadas, destacaram a necessidade de fortalecer os esforços para livrar o mundo dessas armas."

O prêmio desta sexta-feira é anunciado dias antes da Síria oficialmente se unir ao grupo das 190 nações que assinam o tratado. Os inspetores da Opaq estão atualmente em uma arriscada missão apoiada pela ONU em Damasco para verificar e destruir o arsenal de gases venenosos e agentes nervosos do presidente Bashar al-Assad em meio a uma sangrenta guerra civil.

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O diretor-geral da Opaq, Ahmet Uzumcu, disse que o prêmio era um reconhecimento do trabalho do grupo pela paz mundial nos últimos 16 anos. "Mas é também um reconhecimento dos esforços da nossa equipe, que estão agora na Síria, que estão, de fato, fazendo um corajoso esforço lá para cumprir suas obrigações", disse a uma TV norueguesa.

A divulgação do Nobel de Economia 2013 encerrará a rodada na próxima segunda-feira (14). Os prêmios serão entregues no dia 10 de dezembro, data da morte do fundador do evento, o sueco Alfred Nobel, químico, engenheiro e industrial, conhecido também pela invenção da dinamite. Ele não deu detalhes do que a organização pretende fazer com o prêmio no valor de US$ 1,2 milhão.

Ao dar o prêmio a uma organização internacional, o comitê do Nobel encontrou uma maneira de destacar a sangrenta guerra civil síria, que está em seu terceiro ano, sem dar preferência a nenhum grupo envolvido. A guerra já deixou mais de 100 mil mortos e forçou mihões de sírios a deixar suas casas e o país, segundo a ONU.

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Os investigadores de crimes de guerra da ONU acusam o governo Assad e os rebeldes que lutam para derrubá-lo de delitos, embora digam que no início do ano a escala e a intensidade de abusos cometidos pelos rebeldes não chegaram nem perto das atrocidades cometidas pelo regime.

No passado, sete países - Albânia, Índia, Iraque, Líbia, Rússia e EUA, junto a um país identificado pela Opaq apenas como uma "parte de um Estado", que acredita-se ser a Coreia do Sul - declararam seus estoques de armas químicas e estão atualmente no processo de sua destruição.

Entretanto, o comitê destacou que alguns países não cumpriram o prazo de abril de 2012 para destruir seus arsenais. "Isso se aplica especialmente aos EUA e à Rússia", disse o presidente do comitê Thorbjoern Jagland.

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Após um ataque de armas químicas em 21 de agosto que matou centenas na Síria, Assad enfrentou a possibilidade de um ataque militar americano contra suas tropas. Para evitar que isso acontecesse, ele reconheceu possuir armas químicas e seu governo assinou a Convenção de Armas Químicas e permitiu que inspetores da Opaq entrassem em seu país.

A Síria se tornará um membro oficial da organização na segunda-feira (14).

A primeira equipe de inspeção da Opaq chegou na Síria na semana passada, seguida por outra equipe nesta semana. Eles já começaram os trabalhos das primeiras fases para destruição das armas químicas de Assad.

A luta pelo controle das armas químicas começou pra valer após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando agentes como gás mostarda deixaram mais de 100 mil mortos e milhares de feridos.

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A Convenção de Genebra de 1925 proibia o uso de armas químicas, mas a produção ou armazenamento de agentes não estava banida até que a Convenção de Armas Químicas fosse estabelecida em 1997.

"Durante a Segunda Guerra Mundial, meios químicos foram empregados nas exterminações em massa de Hitler", disse o comitê do Nobel. "Armas químicas vieram sendo colocadas em uso em várias ocasiões por Estados e terroristas."

Segundo a Opaq, 57.740 toneladas métricas, ou 81,1%, do estoque declarado de agentes químicos do mundo foi destruído. Albânia, Índia e um "terceiro país" - que seria a Coreia do Sul - finalizaram a destruição de seus estoques declarados.

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Um relatório da Opaq mais cedo esse ano disse que os EUA destruíram cerca de 90% do seu estoque de armas, a Rússia destruiu 70% e a Líbia, 51%. Países que não pertencem à Opaq incluem Coreia do Norte, Angola, Egito e Sudão do Sul. Israel e Mianmar assinaram, mas não ratificaram a convenção em seus parlamentos.

A Opaq não era considerada uma favorita para o prêmio Nobel este ano, que tinha como uma das mais cotadas Malala Yousafzai, a paquistanesa de 16 anos que foi baleada na cabeça pelo Taleban por defender o direito à educação para as mulheres. "Ela é uma mulher ilustre e acho que ela tem um futuro brilhante pela frente e ela provavelmente será uma indicada no próximo ano ou no ano seguinte", Jagland, o presidente do comitê, disse à Associated Press. Ele se recusou a comentar se ela havia sido considerada para o Nobel deste ano.

Veja a lista dos premiados em 2013:

Escritora canadense Alice Munro ganha o prêmio Nobel de Literatura 2013
Pesquisadores de modelos complexos levam o Nobel de Química 2013
Nobel de Física 2013 vai para Peter Higgs e François Englert
Nobel de Medicina 2013 vai para dois americanos e um alemão

Confira os últimos vencedores do Prêmio Nobel da Paz:

2012: União Europeia (UE)

2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkul Karman (Iêmen)

2010: Liu Xiaobo (China)

2009: Barack Obama (Estados Unidos)

2008: Martti Ahtisaari (Finlândia)

2007: Al Gore (Estados Unidos) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU

2006: Muhammad Yunus (Bangladesh) e o Banco Grameen

2005: Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e seu diretor, Mohamed ElBaradei (Egito)

2004: Wangari Maathai (Quênia)

2003: Shirin Ebadi (Irã)

*Com informações da AP, BBC e Reuters

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