Antes de encarar conferência sobre programa nuclear, Irã se arma com propaganda

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel* |

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Encontro a ser realizado em Genebra entre Irã e potências procura dar a ideia de que momento para acordo chegou

O uso da propaganda como arma é algo muito antigo. Nos tempos do Cavalo de Tróia, não existiam os meios de comunicação da mesma forma como hoje, é evidente. Hoje, temos redes sociais e internet. Há todas possibilidades de levar sua mensagem, mesmo a países onde isso é proibido.

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Neste momento, o premiê israelense Benjamin Netanyahu está quase que inteiramente empenhado em um esforço chamado "diplomático", mas, na prática, de informar o mundo, de que não é a favor de nenhuma iniciativa que diminua a pressão sobre o Irã, para que o país desista do objetivo de ser uma potência atômica.

Netanyahu é a figura menos simpática dentro do Irã, cujos meios de propaganda o apresentam como um inimigo da paz. Não falta competência, nem a Israel, nem ao Irã, no campo da publicidade.

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Em Genebra, os principais membros do Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, vão se reunir na semana que vem com altos representantes do Irã para discutir sobre o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano. Existem numerosas especulações, inclusive com argumentos espalhados por Teerã, que procuram criar a impressão de que as potências e o Irã chegaram ao momento do entendimento e que será possível alcançar um acordo.

Israel vem afirmando há tempos, que o Irã atômico é uma ameaça à sua existência. Por isto, muitos pensam que a segurança de Israel é motivo principal do choque das nações ocidentais com os persas. Na verdade, um Teerã nuclear passa a ser o grande poder xiita no Oriente Médio - o que preocuparia países sunitas como Arábia Saudita.

Um primeiro teste de bomba nuclear pelo Irã precipitaria a decisão dos países mais ricos da região, na maioria sunitas árabes produtores petrolíferos, a se armarem para resistir a futuras pressões de Teerã. Eles fariam isso para defender as medidas que adotam até hoje, simpáticas ao Ocidente, devido a seus interesses ecônomicos e políticos. As maiores reservas de petróleo, que são a fonte de energia da Europa, ficariam inseguras. Teerã não pode ter bomba atômica, porque passaria a ser uma ameaça estratégica para o mundo ocidental.

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Para Israel, consciente de seus 20 mil km² de extensão, é uma questão vital fazer o possível e o impossível para que o Irã não se transforme em uma ameaça nuclear.

Como a tendência do mundo hoje, inclusive americana, é de concretizar o uso da diplomacia para a solução de conflitos - vide o caso sírio - tudo está sendo planejado para evitar o uso da força no caso da Irã, que está bem consciente desse fato. Os antigos persas têm longa experiência diplomática e vem provando que sabem fazer o jogo de evitar o conflito com inteligência.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, cumprimenta o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, na Sala Oval da Casa Branca em Washington

A reunião de Genebra vai indicar se a preferência do Ocidente, em relação ao Irã, optará por soluções retóricas, aceitando os compromissos iranianos, de provar com fatos eventuais que não se prepara para ser uma potência atômica - o que pode ser verdade.

Entretanto, trata-se de acreditar em uma solução pacífica. Todos os países que se transformaram em potências nucleares depois da Segunda Guerra (1939-1945), surpreenderam a primeira delas, os EUA. Inclusive a União Soviética com o teste da primeira bomba de hidrogênio. Em uma situação como essas, é impossível fazer previsões de qualquer espécie.

*Colaborou Nelson Burd

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