Medida de curto prazo para elevar teto da dívida pode ser discutida como forma de republicanos ganharem tempo para negociar com ala conservadora Tea Party

O presidente dos EUA, Barack Obama, recebe líderes republicanos da Câmara dos Representantes nesta quinta-feira (10), data em que a paralisação parcial do governo entra em seu 10º dia. A reunião ocorre após um alerta do governo de que um potencial calote poderá provocar um "prejuízo irrevogável" à economia.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento sobre o orçamento e a paralisação parcial do governo na Casa Branca (8/10)
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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento sobre o orçamento e a paralisação parcial do governo na Casa Branca (8/10)

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Os republicanos deram sinais de que estão pensando em fazer avançar no Congresso uma medida de curto prazo para elevar o teto da dívida para acalmar os mercados financeiros e ganhar mais tempo para resolver o impasse. A maior parte dos economistas afirmam que um calote - que pode acontecer caso não haja um acordo no Congresso sobre a elevação do teto da dívida - provocaria danos à economia mundial. Alguns republicanos minimizaram o impacto que o calote poderia provocar.

O governo americano está parcialmente paralisado, porque o Congresso não aprovou um orçamento temporário para financiar as agências e os programas do governo. Separadamente, o governo está arriscado a dar seu primeiro calote na história na próxima quinta-feira (17) caso o Congresso não aprove uma outra medida para aumentar o poder de endividamento do governo americano. Ambas as medidas são geralmente aprovadas de maneira rotineira, mas viraram moeda de troca dos republicanos que buscam adiar ou alterar a reforma da saúde de Obama e reduzir os gastos do governo.

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No Congresso, o secretário do Tesouro Jacob Lew fez um alerta diante do Comitê Financeiro do Senado, afirmando que o fracasso em elevar o teto da dívida "poderia prejudicar profundamente os mercados financeiros, a contínua recuperação econômica e os empregos de milhões de americanos". "Os EUA não deveriam se colocar nessa posição de fazer escolhas perigosas para nossa economia e nossos cidadãos", disse o secretário. "Não há como saber o dano irrevogável que tal decisão teria em nossa economia e no mercado financeiro."

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Em meio a essa situação, é esperado que uma medida para elevar o limite de endividamento a curto prazo seja um tópico importante na reunião a portas fechadas nesta quinta-feira. Conservadores republicanos estão pressionando líderes do partido como o presidente da Câmara, John Boehner, para condicionar a aprovação da medida a exigências que Obama disse que não aceitaria. A elevação do teto da dívida é necessária para que o Tesouro possa emprestar mais dinheiro para pagar as contas do governo.

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Na quarta-feira, Obama afirmou a deputados democratas na Casa Branca que ele preferia uma elevação de longo prazo no teto da dívida, hoje estabelecido em US$ 16,7 trilhões, mas que estaria disposto a autorizar um aumento de curto prazo "para dar a Boehner algum tempo para negociar com os (conservadores) do Tea Party", disse o deputado democrata Peter Welch.

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Obama convidou o contingente republicano inteiro do Congresso para a Casa Branca na quinta-feira, mas Boehner optou por enviar um pequeno grupo de cerca de 20 republicanos, o que fez com que o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, publicasse um comunicado incomum criticando a exclusão dos conservadores do Partido Republicano da reunião.

"O presidente pensava que era importante falar diretamente com os membros que forçaram a crise econômica no país sobre como a paralisação e o fracasso em pagar as contas podem devastar a economia", disse.

Com AP

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