Após naufrágio, líder da UE anuncia R$ 89 mi em ajuda para refugiados na Itália

Por iG São Paulo |

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José Manuel Barroso e Enrico Letta foram recebidos em Lampedusa sob protestos após tragédia que matou 275

O presidente da Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (9) durante uma visita a Lampedusa que a Itália receberia um adicional de 30 milhões de euros (R$89,3 milhões) em ajuda para receber e estabelecer refugiados, após o naufrágio de um barco com imigrantes na ilha italiana que matou ao menos 275.

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AP
Ursos de pelúcia e flores são colocados no caixões de imigrantes mortos no naufrágio em Lampedusa, Itália (5/10)

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José Manuel Barroso também prometeu trabalhar "incansavelmente" na implementação de uma política ampla de asilo na União Europeia para evitar tragédias similares. Ele visitou Lampedusa com o premiê italiano, Enrico Letta, que anunciou que as vítimas do desastre terão funeral de Estado.

Equipes de resgate continuam a procurar pelos corpos das vítimas do naugrágio. Das cerca de 500 que estavam a bordo da embarcação, apenas 155 sobreviveram.

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Alguns moradores da ilha gritaram: "Vergonha! Vergonha" durante a chegada de Barroso e Letta e protestaram do lado de fora da prefeitura, onde os líderes encontraram o prefeito de Lampedusa. Impedidos pela tropa de choque da polícia, manifestantes seguravam cartazes onde lia-se: "Direitos dos moradores de Lampedusa à deriva".

Há anos, os moradores da ilha de Lampedusa reclamam que foram esquecidos pela Itália e pela União Europeia, tendo que lidar sozinhos e com poucos recursos com milhares de imigrantes que chegam à sua costa todos os anos vindos da África e do Oriente Médio. A Itália exigiu que a União Europeia patrulhe o Mediterrâneo e ajude os países de fronteira que recebem os imigrantes.

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Barroso reconheceu que a Itália e outros países do sul do Mediterrâneo, como a Grécia, têm que contar com estrutura para o recebimento dos imigrantes, mas ressaltou que os países do norte da Europa, como a Alemanha, França, Reino Unido, Suécia e Bélgica, na verdade, recebem a maior parte dos requerimentos de asilos permanentes. Esses países receberam 72% dos 330 mil requerimentos na União Europeia em 2012.

A Itália recebe uma fração desses requerimentos - 16 mil no ano passado - e Barroso afirmou que a Itália e a Áustria deveriam dividir mais o fardo. Entretanto, ele anunciou 30 milhões de euros a mais em fundos europeus para ajudar a Itália a melhorar os padrões de seus centros de imigração para cuidar melhor dos recém-chegados.

Veja imagens da tragédia em Lampedusa:

Imigrante somali de 16 anos observa pôr-do-sol de balsa ao deixar ilha de Lampedusa, na Itália (7/10). Foto: APMergulhadores retomam buscas e resgatam mais dez corpos de barco que naufragou na costa da Sicília (6/10). Foto: Antonio Parrinello/ReutersSobreviventes prestaram homenagem aos mortos no naufrágio, cujos corpos estão em um hangar no aeroporto da ilha (6/10). Foto: Antonio Parrinello/ReutersBandeira preta com a palavra 'Vergonha' tremula na ilha de Lampedusa, Itália (4/10). Foto: APMenino dorme em acampamento temporário na ilha de Lampedusa, na Itália (4/10). Foto: APGuardas resgatam sobrevivente de naufrágio de barco que levava imigrantes africanos a Lampedusa, Itália (4/10). Foto: APCorpos de imigrantes mortos em naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa (3/10). Foto: APCorpo de um imigrante que morreu afogado é resgatado pela Guarda Costeira e levado ao porto de Lampedusa, Sicília (3/10). Foto: APCorpos de imigrantes que morreram no naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa, Itália (3/10). Foto: APEmbarcação da Guarda Costeira italiana transporta sobreviventes de naufrágio de navio que carregava imigrantes na ilha de Lampedusa, Itália (3/10). Foto: APImigrante ferido aguarda para ser atendido no hospital de Lampedusa, na Itália (3/10). Foto: AP

O centro de Lampedusa, por exemplo, recebe rotineiramente mais do que sua capacidade, de 850 pessoas. Essa semana, os recém-chegados dormiram do lado de fora na chuva, porque não havia espaço coberto para eles.

Barroso visitou o centro e também o hangar do aeroporto onde os caixões dos mortos no naufrágio estão enfileirados. "A imagem de centenas de caixões na minha frente nunca vai sair da minha cabeça", disse.

Na terça-feira, ministros do Interior da UE concordaram a princípio em explorar novas fortmas de fortalecer a capacidade das fronteiras para tentar evitar tragédias como essa.

Com AP

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