Equipes de busca na Itália encontraram 'parede de corpos' em barco naufragado

Por iG São Paulo |

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Segundo autoridades, número de mortos confirmados na tragédia da ilha de Lampedusa subiu para 250 nesta terça

Mergulhadores italianos encontraram uma "parede de corpos" no interior de um barco que levava imigrantes e naufragou na quinta-feira perto da ilha de Lampedusa, na Itália, durante as operações de busca.

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AP
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Autoridades afirmaram que 38 corpos foram recuperados na segunda-feira e outros 18 nesta terça, elevando o número de mortos na tragédia para 250. Acredita-se que dezenas ainda estariam desaparecidos. A maioria dos passageiros, se não todos, vinham da Eritreia para a Europa em busca de asilo e de uma vida melhor.

"Eles encontraram uma parede de pessoas", disse o capitão da Marinha Paolo Trucco sobre as operações. Os corpos "estavam tão entrelaçados, uns nos outros, que ficaram indescritíveis. Estavam tão presos que era difícil tirá-los (do barco)."

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O comandante da Guarda Costeira Filippo Marini disse que a busca continuaria enquanto as condições meteorológicas permitissem. Apenas 155 imigrantes sobreviveram ao naufrágio ocorrido na quinta-feira. Acredita-se que 500 pessoas estariam a bordo da embarcação.

Um número desproporcional de mortos eram mulheres: até o momento, os corpos de 75 mulheres foram recuperados, enquanto apenas seis dos sobreviventes eram do sexo feminino. Sete dos mortos eram crianças.

O mergulhador Riccardo Nobile, que participou das operações no domingo, quando 83 corpos foram recuperados, disse na segunda-feira que o trabalho dentro da embarcação naufragada é muito mais complicado.

"Eu fiquei mais de uma hora entre esses corpos. Era difícil olhar diretamente para seus rostos, ver seus ferimentos, suas expressões atormentadas, seus braços estendidos", disse Nobile. "Foi extremamente difícil. Mas é nosso trabalho."

A tragédia ocorrida na quinta-feira voltou a chamar a atenção para os problemas em torno da imigração ilegal do norte da África. O destino dos sobreviventes destaca as deficiências dos centros que abrigam imigrantes e das leis que visam afastá-los do país.

Mais de mil pessoas abrigadas no centro de migrantes de Lampedusa estão em alojamentos superlotados e sem higiene. Centenas, incluindo muitas famílias com crianças pequenas, dormem ao relento em colchões de espuma, pois há apenas espaço para 250 pessoas.

O desastre renovou a pressão da Itália para obter mais ajuda por parte da União Europeia, e muitos legisladores locais estão pedindo mudanças imediatas nas leis de imigração do país.

Com AP

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