Cristina Kirchner se recupera 'favoravelmente' após cirurgia, dizem médicos

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Presidente da Argentina foi submetida nesta terça-feira à operação para remover um hematoma no cérebro

Médicos removeram um coágulo do lado direito do cérebro da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, nesta terça-feira (8), aliviando a pressão que provocava fortes dores de cabeça e dormência. Segundo seu comunicado, seu estado de saúde estava "evoluindo favoravelmente" após a cirurgia e ela ficaria hospitalizada no momento.

Argentina: Cristina Kirchner opera hematoma cerebral

AP
Victoria Sanchez, eleitora de Cristina Kirchner, chora do lado de fora do hospital Favaloro durante cirurgia da presidente argentina

Informações: Mistério sobre saúde de Cristina Kirchner gera especulações

O porta-voz fez um rápido anúncio a uma multidão de partidários reunidos do lado de fora do hospital, dizendo que a "operação foi muito bem" e que Cristina agradecia a todos aqueles que a ajudaram.

"Ela está de muito bom humor. Ela agradece a todos. Ela agradeceu à sua equipe médica e a todos vocês que estão rezando por ela. Ela está de muito bom humor e o próximo comunicado médico será divulgado ao meio-dia de amanhã", afirmou Alfredo Scoccimarro.

Antes, o governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, afirmou que a cirurgia já havia terminado e que a presidente se recuperava da anestesia. Ele e muitos outros políticos do país desejaram a Cristina uma rápida recuperação. "Se Deus quiser, ela voltará a estar conosco muito em breve."

Sábado: Cristina Kirchner ficará um mês de licença médica

Especialistas descreveram o procedimento - que consiste em retirar o líquido entre o cérebro e o crânio - como de baixo risco com prováveis resultados positivos. A recuperação pode demorar três meses ou mais.

Muitos comemoraram após o fim da cirurgia em frente à Fundación Favaloro, um dos mais prestigiados centros médicos da Argentina. Alguns passaram a noite inteira em vigília, carregando estátuas da Virgem de Lujan, a padroeira da Argentina, e mensagens como "Fuerza Cristina" eram lidas em cartazes.

Cristina Kirchner foi diagnosticada com "hematoma subdural crônico", que significa líquido alojado entre o crânio e o cérebro. Isso pode acontecer quando as veias finas que conectam a superfície do cérebro com sua cobertura externa apresentam um vazamento sanguíneo. Conforme as pessoas envelhecem, isso pode acontecer até mesmo com um ferimento leve na cabeça.

No caso da presidente, os médicos inicialmente prescreveram um mês de descanso, mas decidiram pela cirurgia depois que ela reclamou de dormência e formigamento em seu braço esquerdo no domingo.

Em meio às mensagens de solidariedade, os críticos da presidente questionaram os segredos que rondavam sua condição, que foi anunciada em um comunicado de três parágrafos na noite de sábado depois de ela ter passado mais de nove horas no hospital. O comunicado afirmava que a presidente sofrera de "traumatismo craniano" em 12 de agosto, mas não dava mais detalhes sobre o que teria causado o ferimento.

AP
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chega a hospital em Buenos Aires (7/10)

O dia 11 de agosto foi duro para a presidente. Apesar de sua intensa campanha, os resultados das eleições primárias divulgados naquela noite mostravam uma queda significativa do apoio aos candidatos de seu partido antes das eleições legislativas de 27 de outubro. Cristina Kirchner, sucessora de seu popular marido na presidência, é a figura dominante na política da Argentina após seis anos de mandato, e agora estará fora da campanha três semanas antes das eleições legislativas.

Seus poderes executivos foram transferidos formalmente ao vice Amado Boudou enquanto ela se preparava para a cirurgia, embora nenhum documento descrevendo a extensão de seu poder tenha sido divulgado, o que provocou um debate sobre quanto tempo ele ficará na presidência durante sua recuperação sem um ato do Congresso.

Boudou afirmou em um discurso que as autoridades sênior governariam o país como uma equipe "enquanto ela tem o descanso que merece". "O que Cristina quer é que mantenhamos o governo, e continuemos nesse projeto que (seu marido) Néstor Kirchner começou e que Cristina deu continuidade", disse Boudou, cuja popularidade despencou em meio a denúncias de corrupção.

Com AP

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas