Democratas pressionam por medida para evitar calote do governo; republicanos exigem cortes no orçamento

Os legisladores democratas dos EUA se preparavam para travar outra batalha com os republicanos nesta terça-feira (8) enquanto pressionam por uma medida para evitar o calote do governo americano.

Senadores democratas tentavam aprovar uma medida para evitar um calote através do aumento da capacidade de endividamento do governo. É esperado que os republicanos se oponham à medida caso ela não preveja cortes no orçamento.

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Prédio do Capitólio, em Washington, é visto sob céu cheio de nuvens durante entardecer (7/10)
AP
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A perspectiva de um calote, que pode trazer graves consequências para os EUA e para o mundo, já está ofuscando um outro impasse que paralisou parcialmente o governo dos EUA . A disputa está agora na sua segunda semana sem sinais de qualquer solução entre o presidente Barack Obama e os republicanos no Congresso que querem inviabilizar a lei da reforma da saúde.

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Os democratas no Senado planejam divulgar uma medida que deve permitir US$ 1 trilhão em novos empréstimos acima do atual teto da dívida de US$ 16,7 trilhões que, segundo o governo, será atingido em 17 de outubro.

Investidores ao redor do mundo acompanhavam tensos o impasse e os maiores credores americanos estavam preocupados. "Salvaguardar a dívida é de importância vital para a economia dos EUA e do mundo", disse o vice-ministro de Finanças da China Zhu Guangyao, de acordo com a agência de notícias Xinhua. A China possui US$ 1,277 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA, atrás apenas do Japão.

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Os democratas permaneceram unidos em exigir que a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, votem imediatamente para colocar um fim à paralisação do governo, que decorre de uma guerra contra o financiamento da já aprovada reforma de saúde, principal bandeira doméstica de Obama. A Casa Branca afirmou repetidas vezes que o presidente não vai negociar com os republicanos até que o governo esteja em pleno funcionamento e o teto da dívida tenha sido elevado.

O porta-voz do líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, disse que ele poderia propor uma medida para elevar o teto da dívida ainda nesta terça-feira. É esperado que a medida forneça capacidade suficiente de endividamento para durar até depois das eleições legislativas do ano que vem.

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Não ficou claro se o esforço de Reid para elevar o teto da dívida vai funcionar. Republicanos devem se opor à medida se ela não prever cortes no orçamento. A pergunta é se os republicanos no Senado usarão uma tática obstrutiva, conhecida no Senado americano como "filibuster" para não votar a medida de Reid.

Os republicanos continuavam a usar sua estratégia de tentar jogar a culpa da paralisação parcial do governo em Obama, pelo fato do presidente se recusar a negociar. A Câmara dos Representantes também aprovou uma lei na segunda-feira para reabrir a Secretaria de Alimentos e Drogas, a mais recente em uma série de tentativas dos republicanos de reabrir partes do governo, todas elas barradas pelo Senado, de maioria democrata, que exige uma reabertura completa dos programas e agências federais.

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Analistas afirmam que os republicanos sofrerão politicamente com a paralisação, e a mais recente pesquisa de opinião parece refletir isso. Um levantamento realizado na segunda-feira pelo jornal The Washington Post e pela ABC News disse que a rejeição pela forma como os republicanos estão lidando com o confronto sobre o orçamento alcançou 70%, acima dos 63% da semana passada. Em relação a Obama, a rejeição permaneceu nos 51%.

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Enquanto isso, cerca de 350 mil funcionários civis do Departamento de Defesa foram convocados de volta ao trabalho na segunda-feira, como resultado de uma lei aprovada no Congresso e assinada por Obama depois do início da paralisação. Outras agências como a Nasa e a Agência de Proteção Ambiental permanecem fechadas.

A paralisação inutiliza cerca de 450 mil funcionários públicos de agências responsáveis por programas domésticos, que vão desde os departamentos de Educação e Energia, ao da Saúde, Serviços Sociais, Transporte, entre outros.

Com AP

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