Número de imigrantes mortos em naufrágio na Itália sobe para 211

Por iG São Paulo |

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Mergulhadores recuperaram 17 corpos nesta segunda, antes que o mau tempo voltasse a suspender buscas

Mergulhadores italianos recuperaram mais 17 corpos nesta segunda-feira (7) nas operações de busca de imigrantes de um barco que naufragou na semana passada no Mar Mediterrâneo. As novas descobertas aumentaram o número de mortos na tragédia para 211 antes que o mau tempo impedisse mais uma vez as operações de busca na costa de Lampedusa.

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AP
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Apenas 155 dos estimados 500 passageiros a bordo sobreviveram ao naufrágio. Acredita-se que dezenas de corpos estejam presos nos escombros da embarcação, que atingiu o fundo do mar, a 47 metros de profundidade.

O capitão da guarda costeira Filippo Marini estimou que levaria mais dois dias até que a missão de busca e recuperação de corpos fosse concluída. "Corpos foram recuperados do lado de fora do barco e na cabine. Agora, entramos na parte inferior", disse.

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A Guarda Costeira espera retomar as buscas ainda nesta segunda-feira se as condições de tempo melhorarem. O mergulhador Riccardo Nobile, que participou da operação no domingo, quando 83 corpos foram recuperados, disse que o trabalho dentro da embarcação é muito mais complicado. Mergulhadores conseguem ficar submersos apenas por de sete a dez minutos, dependendo das condições.

"Eu fiquei mais de uma hora entre esses corpos. Era difícil olhar diretamente para seus rostos, ver seus ferimentos, suas expressões atormentadas, seus braços estendidos", disse Nobile. "Foi extremamente difícil. Mas é nosso trabalho."

O barco, que partiu da Líbia, tinha como destino a pequena ilha de Lampedusa, na costa sul italiana. Mais de 100 pessoas ainda estão desaparecidas e, segundo autoridades, muitos nunca serão encontrados.

No sábado, alguns dos 155 sobreviventes somalis e eritreus prestaram homenagem aos homens, mulheres e crianças cujos corpos estavam em um hangar no aeroporto da ilha.

O desastre voltou a chamar a atenção para os problemas de décadas em torno da imigração ilegal do norte da África. O destino dos sobreviventes destaca as deficiências dos centros que abrigam imigrantes e das leis que visam afastá-los do país.

Mais de mil pessoas abrigadas no centro de migrantes de Lampedusa estão em alojamentos superlotados e sem higiene. Centenas, incluindo muitas famílias com crianças pequenas, dormem ao relento em colchões de espuma, pois há apenas espaço para 250 pessoas. Muitos se abrigaram em ônibus durante uma chuva forte no domingo.

O desastre de quinta-feira renovou a pressão da Itália para obter mais ajuda por parte da União Europeia, e muitos legisladores locais estão pedindo mudanças imediatas nas leis de imigração do país.

Com AP

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