"É urgente que os Estados Unidos e seus aliados encerrem suas ações de espionagem de uma vez por todas", afirmou a presidente em seu perfil no Twitter

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (7) que o Itamaraty irá exigir explicações do Canadá a respeito de nova denúncia de espionagem , desta vez envolvendo o Ministério das Minas e Energia, cuja rede de dados teria sido invadida pela Agência de Segurança e Comunicação canadense.

Denúncia:  Documentos revelam que Canadá espionou Minas e Energia

Presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (foto de arquivo)
AP
Presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (foto de arquivo)

Ministro: Lobão pede reforço do sistema de proteção de dados após denúncias

"É urgente que os Estados Unidos e seus aliados encerrem suas ações de espionagem de uma vez por todas", escreveu a presidente em seu perfil no Twitter. "A espionagem atenta contra a soberania das nações e a privacidade das pessoas e das empresas. Isso é inadmissível entre países que pretendem ser parceiros. Repudiamos a guerra cibernética."

A pedido de Dilma, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou por meio de nota que vai reforçar os sistemas de proteção de dados da pasta após a denúncia de atos de espionagem do Canadá.

Denúncias de espionagem contra o Brasil:
- Presidente Dilma foi alvo de espionagem dos EUA, diz TV
- Documentos revelam que Petrobras foi alvo de espionagem dos EUA

A invasão foi revelada por documentos repassados ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald por Edward Snowden - ex-funcionário de uma prestadora de serviço da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos que revelou as ações de inteligência e hoje está asilado na Rússia . As informações foram divulgadas pelo "Fantástico" neste domingo (6).

O monitoramento tinha como alvo telefones, e-mails e internet do ministério, que foram mapeados em detalhes. Os documentos não mostram se houve acesso aos conteúdos nem especifica o período em que as interceptações teriam sido feitas, mas trazem os contatos feitos pela pasta para órgãos dentre e fora do Brasil.

Redes sociais: Dilma usa Twitter para novas críticas à espionagem dos EUA

Na ONU: Dilma diz que espionagem é 'afronta' e 'fere direito internacional'

Dia 17: Dilma decide cancelar viagem de chefe de Estado aos EUA

A denúncia se soma a outros dois casos em que documentos de Snowden apontaram espionagem do governo americano em território brasileiro: o da estatal Petrobras e o da própria presidente Dilma . Segundo o ex-presidente da Eletrobras Pinguelli Rosa, as informações podem servir a empresas que concorrem a leilões e podem dar vantagem competitiva a quem espiona.

As denúncias de espionagem da NSA levaram os Estados Unidos e o Brasil a um impasse diplomático. O Brasil exigiu um pedido formal de desculpas e Dilma cancelou sua visita de chefe de Estado aos EUA, a única oferecida pelo governo dos EUA a um líder estrangeiro, em outubro deste ano. Dilma também fez um discurso duro ao abrir o debate da 68ª Assembleia Geral da ONU .

Após chamar o episódio de “grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis” e uma “afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países”, a presidente anunciou que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet para assegurar a efetiva proteção dos dados que navegam pela internet. Neste domingo, Dilma usou o Twitter para fazer novas críticas à espionagem e cobrar explicações.

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