Apoiadores e opositores do presidente deposto Mohamed Mursi voltaram a tomar as ruas do país neste domingo

Ao menos 51 pessoas morreram e mais de 240 ficaram feridas em confrontos durante protestos no Egito neste domingo. Os confrontos começaram depois que apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, tomaram as ruas. A maior parte das mortes - ao menos 40 - ocorreu na capital, Cairo.

Confrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos
Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Confrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos


Em comunicado, o ministério informou que 423 pessoas foram presas. Os mortos sofreram, em sua maioria, ferimentos a bala, afirmaram fontes de segurança. Os seguidores da Irmandade Muçulmana se manifestaram no Cairo e em outras cidades pedindo a queda do chefe do Exército que derrubou Mursi.

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Numa cidade a 300 quilômetros ao sul da capital, um membro da Irmandade morreu e ao menos dois outros resultaram feridos, disseram fontes médicas e de segurança. Autoridades egípcias alertaram no sábado que qualquer um que protestasse contra as Forças Armadas poderia ser visto como um agente de forças estrangeiras.

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A Irmandade vinha fazendo protestos seguidas vezes contra as Forças Armadas, depois da derrubada do poder do presidente Mohamed Mursi, em julho. Neste domingo, a TV estatal mostrou imagens ao vivo de multidões na praça Tahrir e da cidade de Alexandria carregando fotos do chefe militar, general Abdel Fatah el-Sisi, e bandeiras do país.

Segundo testemunhas, forças de segurança dispersaram manifestantes pró-Irmandade em Alexandria com gás lacrimogênio. Islam Tawfik, um membro da Irmandade e jornalista, disse mais cedo que apoiadores do grupo, que tem diversos integrantes presos desde a derrubada de Mursi, estavam determinados a chegar à praça Tahrir.

"Os nossos que estão nas ruas hoje querem celebrar o Exército que costumava apontar as armas contra o inimigo e não seu povo", disse Tawfik à Reuters. Partidários das Forças Armadas reuniram-se na praça Tahrir para celebrar o aniversário de um ataque a forças israelenses em 1973.

"Nós queremos entrar na Tahrir e Rabaa (local de protestos e acampamento da Irmandade Muçulmana) porque não estão reservadas àqueles que apoiam o golpe", afirmou.

A Irmandade acusa os militares de liderarem um golpe e sabotarem a democracia egípcia com a remoção de Mursi, o primeiro presidente eleito livremente no país, preso após ser derrubado da Presidência.

No dia 14 de agosto, autoridades egípcias atacaram dois acampamentos pró-Mursi no Cairo, deixando centenas de mortos, para depois declarar Estado de emergência e impor um toque de recolher.

Autoridades egípcias reforçaram a segurança no país após confrontos terem deixado ao menos quatro mortos na sexta-feira, quando partidários de Mursi realizavam as demonstrações mais intensas desde que seus acampamentos foram arrasados.

Com AP e Reuters

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