Segundo oficiais que conversaram com familiares, mulher tinha delírios de que Obama se comunicava com ela

Policiais identificaram Miriam Carey, 34 anos, como a motorista que foi morta após perseguição policial em Washington (foto de 2011)
AP
Policiais identificaram Miriam Carey, 34 anos, como a motorista que foi morta após perseguição policial em Washington (foto de 2011)

A mãe da mulher que foi morta a tiros pela polícia depois de provocar uma perseguição perto do Capitólio , em Washington, nos EUA, disse que sua filha sofria de depressão pós-parto. 

Uma autoridade, que falou em condição de anonimato à agência Associated Press, afirmou ainda que a motorista tinha delírios de que o presidente Barack Obama estava se comunicando com ela.

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A perseguição, que teve início em frente à Casa Branca e terminou nos arredores do Capitólio, onde funciona o Congresso americano, fechou temporariamente as Câmara e o Senado onde os legisladores debatiam uma solução para a paralisação do governo dos EUA e provocou pânico na cidade onde, há duas semanas, um atirador deixou 12 mortos .

Dois policiais identificaram a motorista como Miriam Carey, 34 anos, de Stamford, Connecticut. Ela estava viajando com sua filha de um ano de idade que não ficou ferida e está sob os cuidados do conselho tutelar. As autoridades falaram em condição de anonimato, porque não estavam autorizadas a dar detalhes do caso em público.

A mãe de Miriam, Idella Carey, afirmou à rede americana ABC na noite de quinta-feira que sua filha começou a sofrer de depressão pós-parto depois de ter dado à luz sua filha, Erica, em agosto. "Meses depois, ela ficou doente", disse. "Ela ficou depressiva...e foi hospitalizada."

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Idella Carey disse que sua filha "não tinha histórico de violência" e que ela não sabe por que ela estava em Washington na quinta-feira. Ela disse que pensava que Miriam tinha levado Erica a uma consulta médica em Connecticut naquele dia.

Investigadores que entrevistam a família de Miriam sobre sua condição mental, que se deteriorou nos últimos 10 meses, disseram que ela tinha delírios de que o presidente Obama "estava se comunicando com ela".

Segundo relatos de amigos e parentes ouvidos pelo jornal Washington Post, Miriam finalizou seus estudos e trabalhava como dentista. Seu chefe, Steven Oken, descreveu-a à ABC como uma pessoa que estava "sempre feliz". "Eu nunca ia imaginar nem em um milhão de anos que ela faria algo assim", disse.

A irmã de Miriam, Amy Carey, ficou incrédula ao receber as notícias. "Isso é impossível. Ela trabalha, ela tem um emprego", disse Amy, uma enfermeira que vive no Brooklyn, ao jornal Washington Post. "Ela não poderia estar em Washington. Ela estava em Connecticut dois dias atrás. Eu falei com ela."

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Nesta sexta-feira, policiais abriram as investigações para tentar descobrir a razão para que Miriam Carey tentasse furar dois bloqueios da Casa Branca, antes de seguir em alta velocidade pela Avenida Constitution com dezenas de carros da polícia com sirenes ligadas em seu encalço.

Cerca de 100 policiais e agentes do Serviço Secreto americano e do FBI realizaram uma busca no apartamento de Miriam no complexo Woodside Green, removendo caixas, bolsas e um computador. Segundo as autoridades, o apartamento não tinha "nada fora do comum".

De acordo com o Washington Post, a polícia havia sido chamada ao apartamento em dezembro, mas não por causa de nenhum crime. Um vizinho que não quis se identificar, disse que os pneus do carro de Miriam haviam sido roubados e que ela teria ficado chateada com os policiais que foram ao apartamento.

"Ela ficou um pouco nervosa, porque pagamos todos os impostos e não temos nenhuma câmera de segurança (no bairro)", disse o vizinho, que só falou com Miriam uma vez.

Amigos que eram próximos descreviam Miriam como amigável e dedicada. "Ela era realmente uma pessoa doce e educada", disse Sara Vega, uma antiga colega de classe de Miriam no Brooklin, onde Miriam nasceu e foi criada.

Segundo a polícia, aparentemente não há nenhuma ligação direta com terrorismo e não há indicação de que a mulher estivesse armada. O chefe da polícia do Capitólio Kim Dine, cujos oficiais estavam trabalhando sem receber pagamento por causa da paralisação, caracterizou o incidente como uma "questão isolada e singular".

Na quinta, turistas, congressistas e alguns senadores observaram toda a cena, quando uma caravana de carros da polícia perseguia o carro preto com placa de Connecticut pela Avenida Constitution, do lado de fora do Capitólio. A Câmara dos Representantes e o Senado entraram em recesso imediato, enquanto a polícia do Capitólio transmitiu uma mensagem pelo seu sistema de rádio ordenando que as pessoas ficassem em segurança e saíssem de perto de janelas.

O carro da mulher ficou cercado por carros da polícia, mas ela conseguiu escapar. Um vídeo mostra a polícia apontando armas contra seu carro antes que ela atingisse um carro do Serviço Secreto e continuasse a dirigir. A chefe da polícia metropolitana Cathy Lanier disse que a polícia a matou a tiros a uma quadra do Capitólio.

O FBI emitiu um mandado de busca relacionado à investigação e a polícia isolou um condomínio em Stamford. Os eventos tiveram início quando a mulher acelerou na entrada que leva à Casa Branca, furando bloqueios. Quando ela percebeu que não podia atravessar o segundo bloqueio, ela virou o carro do lado oposto, atingindo um agente do Serviço Secreto, segundo informou o turista B.J. Campbell de Portlan, Oregon.

Um membro do Serviço Secreto e um policial ficaram feridos, mas estão em boas condições e devem se recuperar rápido.

Com AP

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