Mau tempo impede operações de busca após naufrágio na Itália

Por iG São Paulo |

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Testemunha relata que imigrantes se agarraram a garrafas vazias para conseguir boiar até a chegada do resgate

O mar agitado impediu nesta sexta-feira (4) os mergulhadores de realizar operações de buscas para recuperar mais corpos de imigrantes que morreram no naufrágio de um barco superlotado na costa da Sicília, na Itália, em uma das maiores tragédias da crise de imigração na Europa.

Até agora, as equipes de resgate recuperaram 111 corpos e esperam encontrar mais dentro da embarcação e no entorno. Depois que 155 passageiros foram resgatados com vida na quinta, fortes ventos e ondas de um metro de altura impossibilitaram que os 40 mergulhadores recuperassem os corpos com segurança. Há pouca esperança de que algum dos cerca de 500 passageiros esteja vivo.

Itália: Autoridades estimam que 300 pessoas morreram em naufrágio

AP
Bandeira preta com a palavra "Vergonha" tremula no porto da ilha de Lampedusa, no sul da Itália

Lampedusa: Naufrágio de barco com imigrantes na Itália mata mais de 100

"Ainda que as condições do mar permaneçam ruins, nossos homens estão preparados para mergulhar se uma oportunidade segura surgir", disse o porta-voz da guarda costeira Filippo Marini.

Uma bandeira preta com a palavra "Vergonha" foi pendurada no porto da pequena ilha de Lampedusa, que todos os dias recebe centenas de imigrantes africanos que deixam seus países de origem em busca de uma vida melhor na Europa. A tragédia provocou um debate intenso sobre a política de imigração na Europa.

Na quinta: Naufrágio na Itália 'é uma vergonha', diz papa Francisco

Segundo uma testemunha relatou à agência Associated Press, os sobreviventes do naufrágio se agarraram a garrafas vazias para não se afogarem. O residente de Lampedusa Vito Fiorino disse que foi o primeiro a ir ao encontro das dezenas de imigrantes que estavam no mar durante sua expedição de pescaria na manhã de quinta-feira.

Alguns não tiveram forças de pegar os coletes salva-vidas que boiavam no mar e, segundo os sobreviventes, eles lutaram pela vida durante três horas. "Foi uma cena de filme, algo que eu espero nunca mais ver na vida", disse Fiorino à Associated Press.

Fiorino disse que alertou a guarda costeira e os barcos que estavam nas proximidades por volta das 7h de quinta. Ele e seus amigos resgataram 47 imigrantes.

Vídeo: Itália realiza buscas após naufrágio em Lampedusa

O papa Francisco caracterizou esta sexta-feira como um "dia de lágrimas", denunciando o sistema "selvagem" que faz com que pessoas deixem suas casas em busca de uma vida melhor, sem nem se preocupar com a possível morte no processo.

O barco de 20 metros de comprimento levava imigrantes da Eritreia, Gana e da Somália, segundo a Guarda Costeira. Um incêndio teve início quando um dos passageiros ateou fogo em um pedaço de tecido para tentar atrair a atenção de um navio que passava. Mergulhadores da Guarda Costeira encontraram na quinta-feira os destroços da embarcação no fundo do mar.

Autoridades estimam que cerca de 300 morreram no naufrágio. Segundo oficiais, apenas 155 pessoas das cerca de 450 a 500 que estavam a bordo sobreviveram.

Relembre: Veja imagens de grandes naufrágios da história

Navios da Guarda Costeira italiana, barcos de pesca e helicópteros da região ajudaram nas buscas.

Imigrante somali de 16 anos observa pôr-do-sol de balsa ao deixar ilha de Lampedusa, na Itália (7/10). Foto: APMergulhadores retomam buscas e resgatam mais dez corpos de barco que naufragou na costa da Sicília (6/10). Foto: Antonio Parrinello/ReutersSobreviventes prestaram homenagem aos mortos no naufrágio, cujos corpos estão em um hangar no aeroporto da ilha (6/10). Foto: Antonio Parrinello/ReutersBandeira preta com a palavra 'Vergonha' tremula na ilha de Lampedusa, Itália (4/10). Foto: APMenino dorme em acampamento temporário na ilha de Lampedusa, na Itália (4/10). Foto: APGuardas resgatam sobrevivente de naufrágio de barco que levava imigrantes africanos a Lampedusa, Itália (4/10). Foto: APCorpos de imigrantes mortos em naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa (3/10). Foto: APCorpo de um imigrante que morreu afogado é resgatado pela Guarda Costeira e levado ao porto de Lampedusa, Sicília (3/10). Foto: APCorpos de imigrantes que morreram no naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa, Itália (3/10). Foto: APEmbarcação da Guarda Costeira italiana transporta sobreviventes de naufrágio de navio que carregava imigrantes na ilha de Lampedusa, Itália (3/10). Foto: APImigrante ferido aguarda para ser atendido no hospital de Lampedusa, na Itália (3/10). Foto: AP


Foi um dos mais mortais acidentes na conhecida travessia que milhares fazem todos os anos, buscando uma nova vida de prosperidade na União Europeia. Traficantes cobram centenas de dólares por pessoa pela viagem a bordo de barcos superlotados que não contam com coletes salva-vidas para todos.

Centenas de imigrantes chegam à Costa italiana todos os dias, particularmente no verão, quando o mar está geralmente mais calmo. Lampedusa, a 113 quilômetros da Tunísia, tem sido um centro de imigração ilegal.

Com AP

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