Naufrágio de barco com imigrantes na Itália deixa mais de 100 mortos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Duas grávidas estão entre os mortos; nenhuma das 10 crianças que estariam a bordo foram encontradas

AP
Corpos de imigrantes mortos em naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa, na Itália

Um barco levando imigrantes da África em direção à Itália pegou fogo e naufragou na costa da ilha de Lampedusa, na Sicília, nesta quinta-feira (3), deixando ao menos 114 mortos. Cerca de 150 passageiros foram resgatados e outros 150 estão desaparecidos.

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Foi um dos acidentes mais mortais nos últimos tempos na conhecida travessia de imigrantes que partem da África buscando uma vida melhor nos países da Europa. Em uma indicação da proporção da tragédia, o ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, cancelou suas reuniões nesta quinta e partiu para Lampedusa para acompanhar as operações de resgate. O papa Francisco, que visitou Lampedusa em julho, mandou sua mensagem de condolência.

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"Precisamos apenas de caixão, não ambulâncias", disse Pietro Bartolo, chefe dos serviços de saúde da ilha à  Radio 24. Ele afirmou que 94 pessoas estão mortas.

"É uma tragédia imensa", disse o prefeito de Lampedusa, Giusi Nicolini.

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Após o número de mortos dado por Bartolo, a guarda costeira italiana afirmou que mergulhadores encontraram ao menos outros 20 corpos perto do barco naufragado. Segundo a rede britânica BBC, foram encontrados cerca de 40 corpos dentro da embarcação, o que elevaria o número de mortos para ao menos 130.

Segundo a Organização Internacional para a Migração, estima-se que o barco estava levando de 450 a 500 passageiros. O barco deixou Tripoli com migrantes da Eritreia, Gana e Somália, segundo informou o porta-voz da guarda costeira Marco Di Milla.

Antonio Candela, comissário de saúde de Palermo, disse que 159 passageiros foram resgatados com vida. "A maioria deles não sabia nadar. Somente os mais fortes sobreviveram", disse Simona Moscarelli, uma integrante da Organização Internacional para a Migração.

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Somente três das cerca de 100 mulheres a bordo foram resgatadas até o momento e nenhuma das cerca de 10 crianças foram salvas, segundo Simona. Duas das mortas estavam grávidas.

O prefeito Nicolini disse que o barco pefou fogo depois que passageiros soltaram fogos para serem vistos pelos navios que passavam. O barco, aparentemente, virou e naufragou perto da ilha Conigli quando os passageiros tentaram fugir das chamas.

Essa foi uma das mais mortais tragédias envolvendo barcos de migrantes nos últimos tempos e o segundo essa semana na Itália. Na segunda-feira, 13 homens morreram afogados ao tentar alcançar o sul da Sicília quando seu barco encalhou a poucos metros da costa.

Lampedusa é mais perto da África do que a costa italiana e é um destino frequente de barcos que levam migrantes. Centenas de migrantes alcançam a costa todos os dias, particularmente durante os meses de verão, quando o mar geralmente está calmo. Eles são levados em centros, selecionados para asilo, e frequentemente enviados de volta para casa.

Os que conseguem entrar no país, geralmente vão para o norte da Europa, onde as comunidades de imigrantes são maiores e melhor organizadas. Na Itália, os imigrantes só podem trabalhar legalmente se tiverem uma autorização de trabalho e um contrato antes de sua chegada.

Veja imagens do resgate em Lampedusa:

Imigrante somali de 16 anos observa pôr-do-sol de balsa ao deixar ilha de Lampedusa, na Itália (7/10). Foto: APMergulhadores retomam buscas e resgatam mais dez corpos de barco que naufragou na costa da Sicília (6/10). Foto: Antonio Parrinello/ReutersSobreviventes prestaram homenagem aos mortos no naufrágio, cujos corpos estão em um hangar no aeroporto da ilha (6/10). Foto: Antonio Parrinello/ReutersBandeira preta com a palavra 'Vergonha' tremula na ilha de Lampedusa, Itália (4/10). Foto: APMenino dorme em acampamento temporário na ilha de Lampedusa, na Itália (4/10). Foto: APGuardas resgatam sobrevivente de naufrágio de barco que levava imigrantes africanos a Lampedusa, Itália (4/10). Foto: APCorpos de imigrantes mortos em naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa (3/10). Foto: APCorpo de um imigrante que morreu afogado é resgatado pela Guarda Costeira e levado ao porto de Lampedusa, Sicília (3/10). Foto: APCorpos de imigrantes que morreram no naufrágio são enfileirados no porto de Lampedusa, Itália (3/10). Foto: APEmbarcação da Guarda Costeira italiana transporta sobreviventes de naufrágio de navio que carregava imigrantes na ilha de Lampedusa, Itália (3/10). Foto: APImigrante ferido aguarda para ser atendido no hospital de Lampedusa, na Itália (3/10). Foto: AP

Segundo a agência de refugiados da ONU, 8,4 mil imigrantes chegaram à Itália e Malta nos primeiros seis meses do ano, quase o dobro dos 4,5 mil da primeira metade de 2012. Ainda assim, é um número bem menor do que os milhares que se dirigiram à Itália durante a Primavera Árabe em 2011.

Os números, entretanto, aumentaram consideravelmente nas últimas semanas, principalmente com a chegada de sírios.

O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) registrou 40 mortes na primeira metade de 2013, e um total de 500 para o ano inteiro de 2012, baseado em entrevistas feitas com sobreviventes.

Com AP

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