EUA ameaçam impor sanções ao Irã se diálogo nuclear não avançar

Por iG São Paulo |

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Subsecretária de Estado afirma que Teerã deve entregar planos de ação concretos na conferência em Genebra

O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quinta-feira (3) que apoiaria uma pressão econômica mais dura contra o Irã se a república islâmica não começar a reduzir o ritmo do enriquecimento de urânio no país e abrir seus estoques de materiais nucleares para uma inspeção, e reafirmou suas críticas dizendo que os EUA não serão feitos de "idiotas" por causa da aparência mais moderada do novo presidente do país.

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A negociadora nuclear chefe dos EUA afirmou ao Comitê de Relações Exteriores do Senado que o governo poderia oferecer alívio em algumas sanções se medidas para "construir a confiança" forem tomadas, mas que apoiaria novas e mais duras restrições comerciais no Congresso se os contatos diplomáticos recentes fracassarem em reduzir a preocupação de que o Irã possa estar desenvolvendo armas nucleares.

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"Estou dizendo isso para o Irã", afirmou a negociadora Wendy Sherman, que se encontrará com outras potências e o Irã em Genebra daqui a duas semanas. "Venham com planos de ação concretos e substantivos no dia 15 de outubro, com compromissos de que vocês permitirão o monitoramento e a verificação, para criar alguma fé de que vocês realmente têm intenção de fazer isso, e nosso Congresso os ouvirá. Mas eu posso garantir que se vocês não vierem no dia 15 e 16 com um plano concreto, que seja verdadeiro e verificável, nosso Congresso tomará uma atitude, e nós vamos apoiá-lo."

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Falando em Tóquio, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou a jornalistas que os EUA não serão feitos de "idiotas" pelo presidente iraniano, Hassan Rouhani. Ainda assim, Kerry defendeu o esforço feito recentemente por Obama para retomar as negociações.

É esperado que o Comitê Bancário do Senado elabore um novo pacote de sanções no fim do mês, baseada na legislação aprovada na Câmara em julho que prejudicaria os setores de mineração e construção do Irã e colocaria os EUA na meta de eliminar todas as vendas de petróleo do Irã no mundo até 2015.

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Sherman, entretanto, pediu aos senadores que esperem até o encontro em Genebra para avançar com o pacote de sanções.

Kerry, em resposta ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que os EUA não deveriam confiar no Irã, defendeu os esforços de Obama. Kerry se encontrou na semana passada, às margens da Assembleia Geral da ONU, com o chanceler Mohammad Javad Zari, e depois, Obama e Rouhani conversaram por telefone - o que não acontecia entre um presidente americano e um presidente iraniano há mais de 30 anos.

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Ele afirmou que seria uma "malversação diplomática" da pior espécie ao menos não testar as promessas retóricas do Irã de que o país está pronto para negociações. Após um mês no qual Obama, o Congresso e o povo americano hesitaram em atacar a Síria após uma séire de ataques químicos, Kerry destacou a importância de tentar "todas as possibilidades" para evitar uma ação militar.

Entretanto, ele acrescentou, que "não são as palavras que farão diferença. São as ações".

Com AP

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