Paralisação nos EUA prejudica proteção contra ameaças, diz chefe de inteligência

Por iG São Paulo |

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No Congresso, James Clapper diz que 70% da equipe não está trabalhando: 'Cada dia que passa, o risco aumenta'

Autoridades dos EUA afirmaram nesta quarta-feira (2) que a paralisação do governo prejudica seriamente a habilidade da inteligência de se proteger contra ameaças.

Eles afirmaram que estão mantendo suas equipes que lidam com contraterrorismo trabalhando, bem como os oficiais que fornecem informações às tropas do Afeganistão, mas que o risco aumentaria a cada dia com menos espiões para rastrear alvos.

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O diretor nacional de Inteligência dos EUA, James Clapper, afirmou ao Congresso nesta quarta que cerca de 70% dos trabalhadores civis - incluindo a equipe da CIA, da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) e da Agência de Inteligência da Defesa - estão de licença não remunerada. "Estou no negócio da Inteligência há cerca de 50 anos. Nunca vi nada assim", disse.

Clapper afirmou ao Comitê Judiciário do Senado que tentou manter funcionários suficientes para proteger o país contra "ameaças iminentes contra a vida e à propriedade", mas que terá que convocar mais trabalhadores se a paralisação continuar. "O risco é 75% maior do que foi ontem", disse Clapper, quando questionado sobre o dano.

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"O perigo aqui...se acumulará com o tempo. O dano será insidioso", disse Clapper em relação à informação perdida pelo fato de haver menos funcionários para rastrear possíveis alvos. "Então, cada dia que passa, o risco aumenta."

O governo federal paralisou suas atividades à meia-noite de segunda-feira (30) diante de um impasse no Congresso sobre o orçamento. Os republicanos, que dominam a Câmara dos Representantes, não querem aprovar o orçamento que financia as agências e programas do governo federal, a menos que os democratas e o poder executivo concordem em inviabilizar a reforma de saúde do presidente Barack Obama.

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Clapper também alertou para o risco da traição, uma vez que o estresse financeiro poderia fazer seus oficiais da inteligência mais vulneráveis a serem comprados por espiões estrangeiros.

O chefe da NSA, o general Keith Alexander, afirmou a legisladores que ele manteve seus funcionários trabalhando nas ameaças mais significativas e no respaldo às forças militares no Afeganistão e no exterior. Apesar de muitos funcionários da NSA serem militares e, portanto, excluídos da paralisação, muitos analistas são civis.

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As agências de inteligência dos EUA têm passado por um escrutínio, com público e legisladores exigindo mudanças, desde que Edward Snowden, ex-contratado da NSA, vazou informações a partir de junho segundo as quais o governo coleta muito mais dados de telefones e de internet do que se sabia até então.

Alexander, diretor da NSA, disse que as dispensas relacionadas à paralisação prejudicam a moral e que sua agência corre o risco de perder milhares de Ph.Ds, cientistas de computação e matemáticos forçados a deixar o trabalho.

"Nossa nação precisa de gente assim, e a maneira como nós tratamos essas pessoas é dizendo-lhes ‘vão para casa, porque não podemos pagá-los'", disse.

Com AP e Reuters

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