Obama convoca líderes do Congresso para reunião em meio à paralisação do governo

Por iG São Paulo |

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Democratas e republicanos sugerem que impasse que suspendeu serviços nos EUA pode durar semanas

O presidente dos EUA, Barack Obama, convocou legisladores à Casa Branca nesta quarta-feira (2) em meio ao segundo dia de paralisação parcial do governo. Deputados democratas e republicanos sugeriram que o impasse no Congresso que mantém serviços e programas federais suspensos poderia durar semanas.

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AP
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A paralisação forçou Obama a cancelar duas paradas em sua viagem para a Ásia e deixou funcionários públicos no limbo em todo o país, além de prejudicar as atividades de inteligência.

O gabinete do presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que vai participar do encontro na Casa Branca, pois toma o convite como um sinal de que Obama avaliará as exigências dos republicanos de fazer mudanças no projeto de lei da reforma de saúde em troca da liberação do orçamento temporário do governo.

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Obama disse repetidas vezes que não vai fazer negociações na lei em troca da reabertura do governo. Um assessor de Obama disse que o presidente vai apelar aos republicanos da Câmara que aprovem o orçamento livre de condições. O financiamento da maior parte do governo foi cortado depois do esforço republicano para tentar inviabilizar a reforma de saúde de Obama.

A indignação pública aumentou quando a paralisação parcial do governo fechou parques nacionais e monumentos como a Estátua da Liberdade e interrompeu a coleta de lixo em Washington D.C. Cerca de um terço dos funcionários públicos - 800 mil trabalhadores - estão de licença e sem remuneração. Funcionários classificados como "essenciais" - como controladores de tráfego aéreo, agentes de patrulha de fronteiras e a maior parte dos inspetores de alimentos - continuam a trabalhar.

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Obama, que deixará os EUA em direção à Ásia no sábado à noite, cancelou as duas últimas paradas na Malásia e nas Filipinas. A Casa Branca ainda avalia sua ida para a Indonésia e para Brunei.

Até as agências de inteligênica sentiram os efeitos. O diretor nacional de inteligência, James Clapper, afirmou ao Congresso que cerca de 70% da equipe de inteligência, incluindo a CIA e a Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) - está fora do trabalho.

Os líderes da maioria e minoria no Senado, Harry Reid e Mitch McConnell, respectivamente, e a líder da minoria da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, também participam da reunião na Casa Branca.

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"Estamos felizes que o presidente finalmente reconheceu que sua recusa em negociar é indefensável", disse o porta-voz de Boehner, Brendan Buck. "Não ficou claro por que nós estaríamos nessa reunião se não significa um início de um diálogo sério entre dois partidos."

A disputa sobre o orçamento dividiu o Partido Republicano. Um núcleo mais conservador se colocou contra à reforma de saúde de Obama, alegando que ela prejudica o emprego e restringe a liberdade dos americanos, obrigando-os a ter um seguro saúde. Mas outros republicanos temem que o partido leve a culpa pela paralisação e que isso prejudique as eleições ao Congresso no ano que vem.

O deputado republicano Peter King, de Nova York, afirmou na quarta-feira que membros da Câmara alinhados ao movimento conservador Tea Party estão tentando "sequestrar o partido". King acrescentou que um número cada vez maior de deputados republicanos - talvez mais de 100 - está ficando cansada dessa ala do partido.

Na noite de terça, republicanos tentaram aprovar uma legislação destinada a reabrir alguns serviços do governo , incluindo os parques nacionais. Os democratas rejeitaram a ideia, dizendo que os republicanos não possuem o poder de escolher quais agências abririam e quais permaneceriam sem funcionar.

Não afetada pela paralisação, uma parte importante da reforma da saúde entrou em vigor na terça-feira. Seguradoras de saúde receberam inscrições para a cobertura de milhões de americanos a partir de 1º de janeiro.

Com AP e Reuters

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