'Presidente do Irã é lobo em pele de cordeiro', diz premiê de Israel na ONU

Por Leda Balbino - em Nova York* | - Atualizada às

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Para Netanyahu, Rouhani acena ao Ocidente com objetivo de pôr fim às sanções e avançar com programa nuclear

Acusando o Irã de lançar uma ofensiva de charme para enganar o Ocidente, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira (1º) que o objetivo do recente aceno pró-negociações do presidente Hassan Rouhani é pôr fim às sanções internacionais e ganhar tempo para avançar com o programa nuclear e construir bombas atômicas.

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AP
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“A única diferença entre o atual presidente e seu predecessor é que Mahmoud Ahmadinejad era um lobo em pele de lobo", afirmou eem referência ao líder linha-dura que ficou no poder entre 2005 e agosto deste ano “Rouhani é um lobo em pele de cordeiro", disse em discurso perante a 68ª Assembleia Geral da ONU.

Segundo Netanyahu, todos os presidentes iranianos servem ao mesmo “regime implacável” em que o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, é o ditador com os reais poderes nas mãos. “Também queria acreditar nas palavras de Rouhani, mas ele representa um regime que executa dissidentes políticos e aprisiona centenas de outros.”

Em seu pronunciamento, o líder israelense alertou que o programa atômico do Irã é uma ameaça ao Oriente Médio, afirmando que a diplomacia só será efetiva se forçar o país persa a desmantelá-lo totalmente.

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Para atingir esse objetivo, disse, a diplomacia tem de exigir que Teerã interrompa o enriquecimento de urânio e a produção de plutônio, livre-se do estoque de material atômico enriquecido que tem em seu território, desmonte suas instalações atômicas e pare as atividades em seu reator de água pesada.

“Se Israel for forçado a se posicionar sozinho, Israel o fará”, disse, referindo-se a uma eventual ofensiva militar. “Sabemos que, se fizermos isso, estaremos defendendo vários outros países”, afirmou.

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O discurso foi proferido um dia depois de Netanyahu ter pedido ao presidente americano, Barack Obama, para manter em vigor as sanções impostas contra Teerã ou até mesmo reforçá-las se o país persa obtiver avanços em seu programa nuclear enquanto negocia com os EUA. “Se for para a diplomacia funcionar, essas pressões devem ser mantidas”, afirmou o premiê israelense durante um encontro com Obama no Salão Oval da Casa Branca, em Washington.

Os dois se reuniram três dias depois de Obama ter feito uma ligação histórica para o presidente iraniano, marcando a primeira conversa entre líderes dos EUA e do Irã desde que os dois países romperam as relações diplomáticas após a Revolução Islâmica, em 1979.

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O apelo pró-sanções foi reiterado por Netanyahu nesta terça-feira, quando afirmou que as punições econômicas, combinadas com uma real ameaça militar, são a única forma de dissuadir o Irã de avançar suas atividades nucleares. “A comunidade internacional tem o Irã nas cordas”, disse em alusão às sanções. “Se quiser nocauteá-lo, deve manter a pressão.”

Enquanto o Irã afirma que seu enriquecimento de urânio tem propósitos médicos e o objetivo pacífico de produzir combustível para reatores, as potências mundiais e Israel temem que a finalidade seja bélica.

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Em seu discurso nesta terça, Netanyahu questionou por que um país que tem vários recursos energéticos investiria bilhões para desenvolver um programa nuclear e tentaria construir mísseis balísticos intercontinentais capazes de carregar uma ogiva. "O difícil não é encontrar evidências de que o Irã tenha um programa de armas nucleares, mas de encontrar evidência de que não tenha", afirmou.

Desde sua eleição em junho, Rouhani deixou claro que quer aliviar as sanções internacionais impostas contra seu país para forçá-lo a interromper o programa nuclear. Em gestos para tentar amenizar a pressão econômica do Ocidente, ele declarou disposição para manter negociações e afirmou, em discurso no dia 24 na Assembleia Geral, que "a paz está ao alcance".

Na quinta-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler iraniano, Javad Zarif, realizaram o primeiro encontro de mais alto nível entre os dois países em seis anos durante uma reunião em Nova York em que também estiveram presentes Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia.

Em entrevista posterior ao encontro, Zarif afirmou que os países concordaram em negociações aceleradas, com a esperança de que um acordo seja alcançado dentro de um ano. A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, anunciou em coletiva que as partes “concordaram em avançar com uma cronograma ambicioso”. Haverá uma nova rodada de negociações no dia 28.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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