Diante de impasse no Congresso, governo dos EUA entra em paralisação parcial

Por iG São Paulo |

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Tentativa dos republicanos de impedir reforma da saúde de Obama bloqueou votação do orçamento temporário

Pela primeira vez em 17 anos, os EUA enfrentam nesta terça-feira (1º) uma paralisação parcial de seu governo diante de um impasse sobre a aprovação do orçamento temporário alimentado pela estratégia republicana de tentar impedir que a reforma de saúde do presidente Barack Obama entre em vigor. Cerca de 800 mil funcionários públicos são forçados a ficar em casa sem remuneração e a maioria dos programas e serviços federais não essenciais foram suspensos.

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AP
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A paralisação, a primeira desde 1995-96 prejudicou seriamente a perspectiva eleitoral republicana e aumentou os temores de que um impasse político entre a Casa Branca e o Partido Republicano influenciado por legisladores conservadores prevaleça.

Parques nacionais e museus em Washington estão fechados, e agências como a Nasa e a Agência de Proteção Ambiental também não funcionam. Os funcionários classificados como essenciais ao governo - como controladores de tráfego aéreo, agentes de proteção de fronteiras e inspetores de alimentos - continuarão a trabalhar e o Departamento de Estado prosseguirá aceitando pedidos de vistos. Embaixadas e consulados no exterior continuarão a fornecer serviços aos americanos.

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A lei de reforma da saúde não foi afetada e milhões de pessoas puderam se inscrever nesta terça-feira para obter um plano de saúde.

O impasse colocou democratas contra um núcleo de conservadores que usaram a votação do Orçamento para tentar inviabilizar a reforma de saúde de 2010, apelidada por eles de "ObamaCare".

Poucas questões provocaram tamanha paixão quanto a reforma da saúde. Eles veem o plano, que pretende fornecer cobertura a milhões de americanos que não possuem um seguro saúde, como uma perda de recursos que restringe a liberdade uma vez que requer que a maioria dos americanos tenha um plano de saúde.

Desde 1995, orçamentos temporários costumam ser aprovados de maneira rotineira no Congresso americano com o apoio dos dois partidos. Mas, na segunda-feira, o Senado controlado pelos democratas rejeitou a proposta de orçamento aprovada na Câmara dos Representantes, de maioria republicana, que condicionava o funcionamento do governo ao adiamento de partes da reforma de saúde. A Câmara aprovou a última versão na manhã de terça-feira; o líer da maioria do Senado Harry Reid disse que o novo projeto terá o mesmo destino que a versão anterior quando o Senado se reunir nesta terça.

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Obama acusou os republicanos de segurar o orçamento temporário para conseguir o que querem. "Você não tem que extrair uma vantagem para fazer seu trabalho, para fazer o que você deve fazer de qualquer forma apenas porque há uma lei que você não gosta", disse Obama na segunda-feira, enquanto enviava uma mensagem parecida ao presidente da Câmara, o republicano John Boehner, em conversas ao telefone.

Boehner disse que não queria a paralisação do governo, mas insistiu que a reforma da saúde "está tendo um impacto devastador...e algo precisa ser feito".

Não está claro quanto tempo o impasse vai durar, mas aparentemente, Obama e Reid estão com vantagem. "Não podemos vencer", disse o senador republicano John McCain, acrescentando que "mais cedo ou mais tarde" a Câmara terá que concordar com as exigências democratas para um simples e direto orçamento temporário para o funcionamento do governo.

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Reuters
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A ordem para que as agências federais "executassem planos para uma paralisação ordenada, devido à ausência de verba" foi dada pela diretora de Orçamento da Casa Branca Sylvia Burwell pouco antes da meia-noite de segunda-feira (30).

Os militares serão pagos sob uma legislação recém-aprovada por Obama, mas os contracheques para outros funcionários do governo federal ficarão retidos até que o impasse chegue ao fim.

O serviço postal continuará operando e o governo vai pagar aposentadoria e benefícios de saúde aos pobres e idosos. Em uma mensagem em vídeo, Obama garantiu a membros do Exército que eles serão pagos sob a lei que ele acabara de assinar e disse aos funcionários do Departamento de Defesa que não serão pagos que "vocês e suas famílias merecem mais so que essa disfunção que veem no Congresso".

Com AP

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