Reunião entre Irã e agência nuclear da ONU foi 'construtiva', dizem autoridades

Por iG São Paulo |

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Próxima rodada de negociações em relação à investigação do programa nuclear de Teerã será em 28 de outubro

Autoridades do Irã e da ONU tiveram uma reunião "construtiva" sobre a retomada de uma investigação em relação às acusações de que Teerã trabalha para obter armas nucleares, informaram autoridades nesta sexta-feira (27). A reunião em Viena, na Áustria, foi vista como um teste sobre as promessas do novo presidente do Irã em reduzir a tensão sobre o programa atômico do país.

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O embaixador iraniano para AIEA, Reza Najafi, e o chefe da Organização de Energia Atômica iraniano, Ali Akbar Salehi, aguardam pelo início da conferência geral na Áustria

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A avaliação otimista e o planejamento de um próximo encontro em 28 de outubro podem ser considerados avanços no impasse resultado das reuniões anteriores nos últimos dois anos.

As suspeitas são fruto de relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, que afirmaram que o Irã trabalhou secretamente para tentar desenvolver armas nucleares - algo que Teerã nega. Além dessa investigação, a agência tenta obter acesso a um setor de Parchin, uma instalação militar ao sul da capital do país.

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Irã afirma que não possui interesse em desenvolver armas nucleares, mas a agência suspeita que em Parchin são testados lançadores de explosivos que poderiam ser utilizados em ataques nucleares. Sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, o Irã culpava a AIEA pela crise em relação ao seu programa, dizendo que o impasse era causado pela recusa da agência em acordar com o governo os parâmetros que regem sua investigação.

Em resposta, a agência dizia que tal acordo limitaria sua autonomia, colocando limites sobre o que ela poderia procurar e quem ela poderia questionar.

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Nenhuma das duas partes na sexta-feira deu detalhes sobre sua avaliação positiva em relação à reunião. Mas Herman Nackaerts, uma autoridade sênior da AIEA, disse que a reunião foi "muito construtiva", enquanto o enviado iraniano Reza Najafi falou em uma "discussão construtiva". Nackaerts disse que a próxima rodada de diálogos em 28 de outubro será "substantiva".

A reunião foi observada de perto pelos EUA e seus aliados como um teste sobre se Hasan Rouhani, sucessor de Ahmadinejad, estava preparado para cumprir suas promessas de colocar fim ao impasse entre o Irã e a comunidade internacional em relação ao seu programa nuclear.

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Seu resultado foi o mais recente em uma série de acontecimentos positivos. Na quinta-feira, os EUA e seus cinco parceiros deixaram uma reunião separada com o Irã declarando que uma "janela de oportunidade havia sido aberta" para uma solução pacífica para o impasse.

Ambos os lados concordaram com uma nova rodada de negociações em 15 e 16 de outubro em Genebra, onde Teerã buscará alívio das sanções econômicas e a pressão impostas pelos seis países para que o Irã recue em seu programa atômico.

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Diferente de Ahmadinejad, Rouhani representa uma face mais moderada do regime clerical linha dura em Teerã e seus pronunciamentos esta semana na 68ª Assembleia Geral da ONU alimentaram esperanças de que um progresso nos diálogos possa ser possível. Mas os discursos também serviram como um lembrete que o caminho para esse processo não será rápido nem fácil.

Rouhani manteve firmemente que qualquer acordo nuclear deve reconhecer o direito do Irã, sob tratados internacionais, de continuar a enriquecer urânio. O Irã agora enriquece urânio abaixo do nível usado para mísseis nucleares, mas seus críticos temem que esse seja apenas o começo para rapidamente renovar seu programa e passar a produzir urânico para armas nucleares.

As conversas entre o Irã e a AIEA desta sexta-feira ocorrem separadamente às negociações entre Teerã e os EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha.

Com AP

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