Premiê Letta se reúne com presidente da Itália em meio à crise política

Por iG São Paulo |

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Partido de centro-direita do ex-premiê Silvio Berlusconi fez novas ameaças de abandonar coalizão governista

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, volta nesta sexta-feira (27) à Itália após viagem a Nova York e enfrentará a ameaça de colapso do governo, após novas ameaças do partido de centro-direito do ex-premiê Silvio Berlusconi de abandonar a coalizão governista.

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AP
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O premiê tem dito que a Itália precisa de estabilidade política para enfrentar uma recessão que já dura mais de dois anos e uma dívida pública de 2 trilhões de euros (US$ 2,7 trilhões).

Letta teria encontro com o presidente italiano, Giorgio Napolitano, para discutir a crise, que tem ameaçado o governo desde que Berlusconi foi condenado por crime fiscal no mês passado e condenado a quatro anos de prisão, que foram convertidos em um ano de prisão domiciliar e prestação de serviço comunitário.

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A condenação causou fúria na centro-direita, que tem feito repetidas ameaças de abandonar a estranha coalizão com os rivais da centro-esquerda, formada após uma eleição parlamentar inconclusiva em fevereiro.

Na quarta-feira à noite, parlamentares do partido de Berlusconi ameaçaram renunciar em massa se uma comissão especial do Senado votar, em 4 de outubro, pela perda do mandato de Berlusconi no Senado após a condenação.

Em comunicado contundente publicado na quinta, Napolitano afirmou que uma renúncia em massa dos membros do partido Povo da Liberdade (PDL) "seria um golpe nas raízes da capacidade de funcionamento do Parlamento". "Ainda há tempo, que espero seja bem utilizado, para encontrar uma maneira de expressar -se isso é o que parlamentares do PDL querem fazer- sua empatia política e humana com relação ao presidente do PDL sem colocar em risco o funcionamento das duas Casas do Parlamento", disse.

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É difícil avaliar a seriedade da nova ameaça, por causa dos sucessivos sinais contraditórios emitidos pelos aliados de Berlusconi no Parlamento, que se dividem entre uma facção mais radical e outra mais conciliadora.

Na quinta-feira, o ministro dos Transportes, Maurizio Lupi, membro do partido Forza Italia, disse que não há um compromisso conjunto da centro-direita sobre renunciar a suas cadeiras parlamentares e consequentemente derrubar o governo. "A renúncia dos parlamentares é uma decisão que irá depender da consciência de cada indivíduo", disse ele à rádio pública RAI.

Sem citar fontes, o jornal Corriere dela Siera disse que Letta deu um ultimato ao Forza Italia para que pare com suas ameaças. De acordo com o jornal, o centro-esquerdista ligou para o vice-premiê Angelino Alfano, secretário do partido de Berlusconi, e disse: "Angelino, se essa bagunça continuar, eu posso renunciar daqui."

Com Reuters

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