EUA revisam espionagem após críticas de aliados como Brasil, diz subsecretária

Por Leda Balbino - de Nova York* | - Atualizada às

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Autoridade americana diz que Obama lamenta caso e tomou medidas para avançar agenda com países parceiros

O governo do presidente Barack Obama lamenta as questões que surgiram com a espionagem dos EUA e adotou medidas para revisar os programas de monitoramento da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) para satisfazer as preocupações de países como o Brasil e fazer avançar a agenda com seus aliados, disse nesta sexta-feira Roberta Jacobson, subsecretária de Estado para Questões do Hemisfério Ocidental.

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Leda Balbino
Subsecretária de Estado dos EUA para Questões do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, participa de coletiva em Nova York

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“Queremos assegurar que (os programas) tanto protejam a segurança dos EUA quanto nos façam ter uma conversa melhor com nossos aliados em todo o mundo”, afirmou durante coletiva em Nova York a diplomata, que cuida de assuntos relacionados ao Caribe e à América Latina. “Essa não é apenas uma questão do Brasil, obviamente é uma preocupação de vários outros países. E essas preocupações foram ouvidas em alto e bom som.”

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No dia 17, a presidente Dilma Rousseff cancelou a visita de Estado que faria a Washington em outubro, afirmando que o Brasil não recebeu explicações suficientes às denúncias de que milhões de comunicações por email e telefone de brasileiros foram interceptados pela NSA. Segundo documentos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, conversas da própria presidente, de seus assessores e da multinacional Petrobras teriam sido alvo da espionagem americana.

Denúncias:
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Jacobson, porém, reiterou nesta sexta-feira que o objetivo primeiro do programa de monitoramento é coletar informações sobre potenciais ameaças terroristas, rejeitando a ideia de que os EUA façam espionagem industrial. “Não coletamos informações de inteligência para companhias privadas dos EUA”, disse.

Em uma mostra do quanto a questão irritou o governo brasileiro, a presidente denunciou na terça-feira (24) a espionagem como uma "grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis" e uma "afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países". Ao abrir o debate da 68ª Assembleia Geral da ONU, a líder brasileira também anunciou que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet, com o objetivo de assegurar a efetiva proteção dos dados que navegam pela internet.

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Em discurso feito após Dilma, Obama afirmou que os EUA começaram a revisar a forma como coletam informações de inteligência para “equilibrar, de forma apropriada, as legítimas preocupações de segurança de nossos cidadãos e de nossos aliados com as preocupações sobre privacidade que todas as pessoas compartilham”.

A subsecretária de Estado concedeu a coletiva após participar de um encontro entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, com o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, às margens da Assembleia Geral. Segundo Jacobson, o encontro foi “excelente” e “muito produtivo”, abordando questões como Síria, paz no Oriente Médio e questões bilaterais como o plano conjunto de eliminação do racismo. A subsecretária, porém, não mencionou se a questão da espionagem foi discutida.

Um dia após seu discurso na ONU, a presidente brasileira indicou acreditar que os EUA responderiam às reivindicações do País pelo fato de as relações serem estratégicas para ambos os países.

Um dia após discurso: 'Nenhum país pode negociar sua soberania', diz Dilma

Seminário: Dilma defende investimentos no Brasil em evento em Nova York

"Tenho certeza de que (as condições) serão construídas, porque a relação é estratégica para os dois países, e até ultrapassa isso", afirmou antes de participar do Seminário Empresarial "Oportunidades em Infraestrutura do Brasil. "É possível elevar ainda mais esse patamar, e acho que é isso que tanto o presidente (Barack) Obama e eu queremos. Agora, há que se construir as condições."

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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