EUA e Irã mantêm encontro de mais alto nível em seis anos

Por Leda Balbino – de Nova York* |

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Reunião teve objetivo de relançar negociação sobre programa nuclear; Zarif espera acordo dentro de um ano

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler iraniano, Javad Zarif, descreveram nesta quinta-feira como “construtivo” o primeiro encontro de mais alto nível que os dois países mantiveram em seis anos.

Realizado às margens da 68ª Assembleia Geral da ONU e liderado pela chefe de Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, o encontro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) mais Alemanha com o Irã teve o objetivo de lançar as bases de negociação para o controvertido programa nuclear da nação persa.

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AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e chanceler iraniano, Javad Zarif, participam de reunião com membros do Conselho de Segurança e a Alemanha


Kerry e Zarif cumprimentaram-se com um aperto de mão e se sentaram perto um do outro durante a reunião em Nova York. No fim dela, os dois também mantiveram uma inesperada conversa a sós depois de Kerry se dirigir a Zarif dizendo: “Podemos nos falar por alguns minutos?”

Em entrevista posterior ao encontro, Zarif afirmou que os países concordaram em negociações aceleradas, com a esperança de que um acordo seja alcançado dentro de um ano. A chefe de política externa da UE anunciou em coletiva que as partes “concordaram em avançar com uma cronograma ambicioso”. Haverá uma nova rodada de negociações nos dias 15 e 16 em Genebra, Suíça.

Em seu discurso perante a Assembleia na terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, encarregou Kerry de liderar os esforços para explorar meios de resolver a disputa de longa data.

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Enquanto o Irã afirma que seu enriquecimento de urânio tem propósitos médicos e o objetivo pacífico de produzir combustível para reatores, as potências mundiais e Israel temem que a finalidade seja bélica.

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A reunião ocorreu horas depois de o presidente do Irã, Hassan Rouhani, ter repreendido Israel por ser o único país do Oriente Médio que não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, de 1979. Em discurso durante um fórum de desarmamento nuclear da ONU, o líder iraniano fez um apelo pelo fim de todas as armas atômicas, conclamando Israel a assinar o documento.

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Desde sua eleição em junho, Rouhani deixou claro que quer aliviar as sanções internacionais impostas contra seu país para forçá-lo a interromper o programa nuclear. Em gestos para tentar amenizar a pressão econômica do Ocidente, ele declarou disposição para manter negociações e disse nesta quinta-feira acreditar que um acordo pode ser alcançado em seis meses.

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Em seu discurso perante a Assembleia na quarta-feira, Rouhani reiterou sua disposição ao diálogo, mas afirmou que qualquer acordo tem de reconhecer o direito do Irã ao enriquecimento de urânio.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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