Embate por influência no Oriente Médio remonta à primeira Assembleia Geral

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

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Nas últimas semanas, paz na região e no mundo dependeu do choque de opiniões entre Obama e Putin sobre Síria

Em 1946, assisti à reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas, que poderia ter resultado em uma guerra entre EUA e União Soviética, com a presença de Viatcheslav Molotov, poderoso ministro de Relações Exteriores de Stálin. O público presente era de mais de 2 mil pessoas. Todas as primeiras páginas dos jornais da época afirmavam que a URSS sairia da reunião e abandonaria a ONU caso os americanos, que presidiam o evento, insistissem em discutir o caso Irã.

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Na época, a determinação americana, apoiada pelos aliados ocidentais, era a de que fosse desfeito o Estado Autônomo do Curdistão. Os soviétivos divergiam, alegando ser algo contrário ao estabelecido pela Carta das Nações Unidas, pois significava a intervenção estrangeira em assuntos internos de qualquer país.

Molotov e seu grupo levantaram lentamente e abandonaram a reunião. No momento em que chegavam à porta de saída, alguém começou a rir. Gargalhadas dominaram o ambiente. Não houve conflito, mas foi o início da Guerra Fria.

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Depois, soube-se que um delegado sofreu ataque nervoso de tosse e sua dentadura caiu sobre a mesa. Assim eram aqueles tempos. Os americanos tinham influência no governo iraniano de então, mas os russos nunca esconderam o seu interesse em ser a potência com maior influência no Oriente Médio.

Nas últimas semanas, a paz na região, talvez mundial, dependeu do choque de opiniões entre Barack Obama e Vladimir Putin, presidentes americano e russo, respectivamente. Seja qual for o resultado da questão síria, aos olhos da massa árabe, em geral, a intervenção de Putin impediu a guerra e fez da Rússia uma influência muito grande.

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Putin conseguiu impor seu país como potência, pois sua ambição era afirmá-la como tal. É provável que a História revele que foi o recuo de Obama que nos salvou a todos de uma possível tragédia. A Rússia joga também em favor do Irã, cujo novo presidente, Hassan Rouhani, ganhou simpatias e causou boas impressões, mostrando-se aberto à conversações com americanos e outros, reafirmando que o programa nuclear iraniano não tem objetivos militares e até condenou o massacre de 6 milhões de judeus pelos nazistas, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Entretanto, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu preocupado com a possibilidade de que o boicote econômico a Teerã seja enfraquecido. Os efeitos sobre o bem estar da população iraniana vem sendo muito fortes. Netanyahu acusou o presidente iraniano de seguir na política de ganhar tempo, para que possa testar sua primeira bomba e se fixar como potência nuclear.

Obama enfatizou a determinação americana de empregar todos meios necessários para impedir a transformação iraniana em pólo atômico, além de não descuidar a atenção da questão síria.

Colaborou Nelson Burd

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