Comissão do Senado aprova nome de Patriota para representar Brasil na ONU

Por iG São Paulo |

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Durante sabatina, ex-chanceler defendeu reforma do Conselho de Segurança; indicação deve se confirmar dia 1º

Com um discurso em defesa da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e críticas a medidas unilaterais adotadas por alguns países em situações de crise como a vivida pela Síria, o ex-chanceler Antonio Patriota foi aprovado por unanimidade, pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, para assumir o cargo de representante permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).

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Agência Brasil
Antonio Patriota foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado

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Ao deixar o colegiado com o resultado que deve ser confirmado em plenário na próxima terça-feira (1º), Patriota elencou algumas prioridades de sua atuação em Nova York, lembrando que o governo brasileiro defendeu recentemente a solução para os casos de investigações internacionais. No discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil vai apresentar propostas para estabelecer um marco multilateral civil para tratar dessas questões.

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Patriota explicou que a ideia é definir mecanismos multilaterais para lidar com essas situações, garantindo conquistas já implementadas pelos diversos órgãos da ONU como a soberania e privacidade dos países. O diplomata acredita que a resistência de alguns países, como os EUA, perdeu força com as denúncias recentes de que o governo americano também espionou as atividades da Petrobras. “A cortina caiu. Toda espionagem e interferências eram justificadas pelo suposto combate ao terrorismo e proteção de vida. Isso caiu por terra, porque você não espiona a Petrobras para proteger contra o terrorismo”, disse.

Antonio Patriota, 59 anos, foi ministro das Relações Exteriores por dois anos e oito meses. A entrada do senador boliviano Roger Pinto Molina no Brasil foi o que motivou o pedido de demissão do ministro, cuja relação com Dilma já sofria desgaste. Molina estava asilado há mais de um ano na embaixada brasileira na Bolívia e chegou em agosto ao país.

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Durante quase duas horas de sabatina nesta quinta, o diplomata destacou o papel de liderança do Brasil sobre temas prioritários no cenário internacional e lembrou, por exemplo, que o governo brasileiro foi responsável por iniciar o debate sobre a responsabilidade das nações em proteger civis em regiões de conflito. A iniciativa ocorreu em uma crítica à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na situação do Afeganistão que perdurou por quase 10 anos. Apenas no período entre janeiro e junho de 2010, mais de 1,2 mil pessoas morreram em decorrência do confronto, segundo dados da ONU.

“Alguns países acham que tem carta branca para fazer o que entendem como moralmente correto. O debate foi lançado”, disse, afirmando que o novo conceito não vai substituir o conceito da responsabilidade de proteger. “É uma semente que está germinando que vou acompanhar na ONU."

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Patriota disse que outra tarefa que vai levar entre as prioridades na representação na ONU será a defesa pela reforma do Conselho de Segurança do organismo. “Espero que a reforma se concretize num futuro relativamente próximo. O debate está colocado na pauta há 20 anos”, disse.

O diplomata destacou que o Brasil, ainda que não tenha assegurado um assento permanente no conselho, foi responsável por conquistas significativas sobre decisões do grupo. Patriota citou, por exemplo, o esforço feito, ao lado de países africanos e a Índia, para evitar que o colegiado internacional fechasse definitivamente as portas para uma participação permanente de países em desenvolvimento.

“A primeira vitória foi evitar o déficit de representatividade que está na ausência de um membro da América Latina e África”, disse. Antonio Patriota explicou que o Brasil “não está fazendo barganha, em termos de perdoar dívidas de países africanos, para obter apoio para ocupar a cadeira”, afirmando que o Brasil é o candidato natural da região para o Conselho pela liderança que vem destacando em diversos debates internacionais.

Com Agência Brasil

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