'Nenhum país pode negociar sua soberania', diz Dilma um dia após discurso na ONU

Por Leda Balbino - de Nova York* | - Atualizada às

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Presidente acredita que EUA responderão a reivindicações sobre espionagem por relação bilateral ser estratégica

Um dia depois de seu contundente pronunciamento na 68ª Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (25) que o Brasil precisava tomar uma atitude em relação às denúncias de espionagem dos EUA.

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"Nenhum governo pode desrespeitar os direitos civis e de privacidade de sua população nem tampouco negociar sua soberania", afirmou a líder brasileira antes de discursar durante o Seminário Empresarial "Oportunidades em Infraestrutura do Brasil", em Nova York.

A presidente acredita que os EUA acabarão por responder as reivindicações brasileiras sobre o caso pelo fato de as relações serem estratégicas para ambos os países. Dilma lembrou que o Brasil quer um pedido de desculpas e a tomada de medidas para impedir a repetição da espionagem no futuro.

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"Tenho certeza de que (as condições) serão construídas, porque a relação é estratégica para os dois países, e até ultrapassa isso", afirmou. "É possível elevar ainda mais esse patamar, e acho que é isso que tanto o presidente (Barack) Obama e eu queremos. Agora, há que se construir as condições."

Segundo Dilma, é preocupante pensar que o ex-técnico da CIA Edward Snowden, que vazou os documentos que revelaram os programas dos EUA de monitoramento de email e de telefone, tivesse obtido acesso a dados do Brasil, dos cidadãos brasileiros e dela própria.

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"Como é possível que esse senhor tenha ficado apenas quatro meses em uma empresa privada e tenha tido acesso aos dados do País?", questionou. "Essa é pergunta que tem de ser esclarecida não só para o Brasil, mas para vários países, e nós aguardaremos."

Ao abrir o debate da 68ª Assembleia Geral da ONU na terça-feira (24), Dilma anunciou que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet, com o objetivo de assegurar a efetiva proteção dos dados que navegam pela internet.

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Questionada nesta quarta sobre qual é exatamente a proposta internacional nesse aspecto, Dilma afirmou que o Brasil a baseará no Marco Civil, atualmente em tramitação no Congresso. "Não estamos pedindo a interferência da ONU, que ela controle a internet", disse. "Mas queremos que a ONU preserve a segurança da rede, não deixe que uma guerra se dê no mundo cibernético."

Veja imagens da 68ª Assembleia Geral da ONU:

Autoridades se reúnem para o primeiro dia de debate na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York (24/9). Foto: APPresidente brasileira, Dilma Rousseff, discursa na abertura da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York (24/9). Foto: APSecretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, faz discurso antes da abertura dos debates na Assembleia Geral da ONU em Nova York (24/9). Foto: APAntes de discursar, presidente Dilma Rousseff se encontrou com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (24/9). Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, cumprimenta secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após discurso de líder (24/9). Foto: APPresidente palestino Mahmoud Abbas se reúne com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Nova York, EUA (24/9). Foto: AP

Em seu discurso de terça, que ganhou repercussão mundial, Dilma denunciou a espionagem americana em todo o mundo como uma atividade que fere a lei internacional, uma "grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis" e uma "afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países".

Há a previsão de que o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, reúna-se na manhã de sexta-feira (27) com o secretário de Estado americano, John Kerry.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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