Militantes do Al-Shabab afirmam que 137 reféns morreram; presidente diz que 61 civis morreram no atentado

O Quênia deu início a três dias de luto nacional após o fim de um cerco de quatro dias de militantes islâmicos no shopping center Westgate em Nairóbi. O presidente Uhuru Kenyatta afirmou na terça-feira (23) que o ataque do Al-Shabab ao centro de compras deixou 72 mortos, incluindo seis soldados e cinco militantes. Outros 11 suspeitos foram detidos.

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Mary Italo chora a morte de seu filho Thomas Abayo Italo, 33, que estava no shopping de Nairóbi no momento do ataque do Al-Shabab (25/9)
AP
Mary Italo chora a morte de seu filho Thomas Abayo Italo, 33, que estava no shopping de Nairóbi no momento do ataque do Al-Shabab (25/9)

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O Al-Shabab, que reivindicou responsabilidade pelo ataque, afirmou que 137 reféns morreram, mas seu comunicado não pôde ser verificado de maneira independente. Segundo a rede britânica BBC, bandeiras estavam hasteadas a meio mastro por todo o Quênia, enquanto amigos e parentes das vítimas realizavam cerimônias de funeral.

É possível que o número de mortos aumente à medida em que as autoridades removam os corpos presos nos destroços de três andares, que desabaram com uma forte explosão na segunda-feira. O jornal Kenya Standard informou nesta quarta-feira que dezenas de corpos foram retirados do prédio na noite de terça.

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Em seu pronunciamento transmitido em cadeia nacional na noite de terça-feira, Kenyatta afirmou que ao menos 18 estrangeiros estão entre os mortos, incluindo seis britânicos, cidadãos da França, Canadá, Holanda, Austrália, Peru, Índia, Gana, África do Sul e China. "Esses covardes enfrentarão a Justiça, assim como seus cúmplices e patronos, onde quer que estejam", disse, em relação aos militantes.

Os militantes invadiram o shopping Westgate no sábado, lançando granadas e disparando contra consumidores e funcionários que estavam no centro de compras. O grupo Al-Shabab depois reivindicou a autorida do ataque em retaliação às operações do Exército do Quênia na Somália.

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O presidente disse que não podia confirmar se cidadãos do Reino Unido e dos EUA estariam envolvidos nos ataques, mas que especialistas forenses estavam realizando testes para verificar suas nacionalidades.

Em uma entrevista a rede de TV americana PBS, a chanceler queniana Amina Mohamed disse que americanos com idades entre 18 e 19 anos de idade e uma britânica estariam entre os militantes que realizaram o ataque.

Seus comentários provocaram especulações na mídia sobre um possível envolvimento de Samantha Lewthwaite, viúva de um dos autores do atentado ao sistema de transporte de Londres em julho de 2005.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, classificou os eventos em Nairóbi como um "ultraje terrívei" e disse que os EUA estavam fornecendo toda a cooperação que poderia para o Quênia.

O Al-Shabab, que possui vínculos com a Al-Qaeda ameaçou realizar ataques em solo queniano se Nairóbi não retirasse suas tropas da Somália. Existem cerca de 4 mil soldados quenianos no sul da Somália como parte de uma força da União Africana apoiando as forças do governo somali.

Com AP e BBC

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