Acordos econômicos entre China e Venezuela sugerem controle de Pequim

Por iG São Paulo |

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Para El País, ao mesmo tempo em que Pequim acena apoio a Maduro, acordos podem equivaler a uma hipoteca

A falta de transparência em relação aos acordos comerciais firmados entre a China e a Venezuela levantam dúvidas se o atual líder venezuelano, Nicolás Maduro, coloca algum limite ao fazer compromissos com seus investidores internacionais, afirmou o jornal El País em artigo publicado nesta quarta-feira (25).

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Ao fim do seu giro de quatro dias na China, o sucessor de Hugo Chávez anunciou a assinatura de 27 acordos de cooperação com a China, entre os quais destacou uma nova linha de crédito US$ 5 bilhões. O novo investimento será destinado ao chamado fundo misto China-Venezuela, criado em 2007 para financiar obras de infraestrutura em áreas como energia e telecomunicações.

De acordo com a publicação espanhola, há não muito tempo a China se mostrava reticente a conceder créditos, a menos que a Venezuela concedesse novas garantias.

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Nenhum termo do acordo se tornou público; agências de notícias oficiais apenas fizeram uma alusão genérica a convênios para o financiamento de um novo porto de exportação de produtos petroquímicos, a reabilitação conjunta de um sistema de irrigação para as planícies venezuelas, a exploração de uma mina de ouro venezuela, assim como a construção de um sistema termoelétrico no centro do país. Também ficou acordada a concessão de 60 mil hectares para o cultivo de milho a uma empresa chinesa.

O desbloqueio dos empréstimos chineses sugere um apoio político de Pequim para Maduro, mas também pode ser um indício de que o governo chinês recebeu garantias satisfatórias para a segurança de seus capitais. "Enquanto o florescente intercâmbio entre os dois países representa uma oportunidade de desenvolvimento, devido a suas condições particulares, é o equivalente a uma hipoteca", afirma o jornal El País.

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Segundo a publicação, um terço das exportações de petróleo são enviadas para a China como pagamento de dívida, e, portanto, não geram renda em dinheiro para um país que vê suas reservas internacionais minguando. Além disso, os empréstimos chineses são geralmente atrelados a uma exigência não só da aquisição de produtos chineses, mas também da utilização de know-how e mão de obra do país.

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