'Caminho diplomático com Irã deve ser testado', diz Obama na ONU

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Líder dos EUA elogia sinais de moderação de Teerã, mas destaca dificuldades nas relações entre os dois países

Em discurso em que tentou resumir a política externa dos EUA para regiões instáveis, o presidente americano, Barack Obama, elogiou a busca de um "curso mais moderado" pelo governo recém-eleito do Irã, afirmando que o país deve oferecer as bases para uma superação do impasse sobre o seu programa nuclear entre Teerã, Washington e a ONU.

Obama sinalizou disposição em se envolver diretamente com líderes iranianos ao encarregar o secretário de Estado, John Kerry, de travar um contato diplomático com Teerã.

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"Os bloqueios podem revelar-se grandes, mas eu acredito firmemente que um caminho diplomático deva ser testado", disse o líder americano durante seu pronunciamento na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Obama reforçou que os EUA estão determinados a impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.

O Conselho de Segurança da ONU impôs quatro rodadas de sanções contra o Irã por causa da possibilidade do país estar desenvolvendo armas nucleares, diante da sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio. Os EUA e seus aliados do Ocidente impuseram também outras medidas punitivas, que prejudicaram a economia do Irã e provocou críticas entre a população. Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

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Obama disse que encarregaria o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para buscar progresso na questão nuclear com o Irã, em coordenação com cinco outras potências.

Kerry e representantes da China, Reino Unido, França, Alemanha e Rússia se reunirão na quinta-feira com o chanceler iraniano. O presidente americano não deu nenhuma indicação se iria se reunir com o novo presidente iraniano, o "moderado" Hasan Rouhani. Mesmo um simples cumprimento de mãos marcaria o primeiro encontro deste nível entre um líder americano e um iraniano em 36 anos.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, fala durante 68ª Assembleia Geral da ONU em Nova York

O discurso de Obama desta terça-feira na ONU foi precedido pelo pronunciamento da líder brasileira Dilma Rousseff, que condenou duramente as atividades da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) dos EUA por sua espionagem em milhões de comunicações em países estrangeiros, incluindo o Brasil. 

Sem fazer menção direta a Dilma, o presidente americano afirmou que os EUA "começaram a rever a forma com que coletamos (dados) de inteligência para que mantenhamos o equilíbrio das preocupações legítimas da segurança de nossos cidadãos e aliados com as questões de privacidade". "Como resultado desse trabalho e cooperação com aliados e parceiros, o mundo está mais estável do que há cinco anos."

Crise na Síria

Como já era esperado, Obama exortou o Conselho de Segurança da ONU a aprovar uma resolução firme para garantir que a Síria mantenha seus compromissos sobre a entrega das armas químicas, e disse que os EUA vão fornecer ajuda humanitária adicional de US$ 340 milhões à Síria.

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Os EUA e seus aliados garantem que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, está por trás de um ataque químico que teria deixado centenas de mortos em agosto.

"Tem de haver uma resolução forte do Conselho de Segurança para saber se o regime Assad está cumprindo com seus compromissos. Se não pudermos concordar nem nisso, isso mostrará ao mundo que não somos capazes nem de fazer valer o direito mais básico", disse Obama em relação à legislação internacional que proíbe as armas químicas.

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Obama também afirmou que seria um "insulto à razão humana" sugerir que outro grupo, que não o regime de Assad, realizou o ataque químico de 21 de agosto nos arredores de Damasco. "Os inspetores da ONU fizeram um relatório de que foguetes lançaram gás sarin em civis e esses foguetes foram lançados a partir de redutos do regime contra locais capturados por rebeldes", reforçou Obama.

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Veja imagens da 68ª Assembleia Geral da ONU:

Autoridades se reúnem para o primeiro dia de debate na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York (24/9). Foto: APPresidente brasileira, Dilma Rousseff, discursa na abertura da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York (24/9). Foto: APSecretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, faz discurso antes da abertura dos debates na Assembleia Geral da ONU em Nova York (24/9). Foto: APAntes de discursar, presidente Dilma Rousseff se encontrou com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (24/9). Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, cumprimenta secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após discurso de líder (24/9). Foto: APPresidente palestino Mahmoud Abbas se reúne com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Nova York, EUA (24/9). Foto: AP

Há duas semanas, os EUA e a Rússia, país aliado ao regime sírio, chegaram a um acordo para evitar uma possível intervenção militar liderada pelos EUA contra a Síria após o ataque com o uso de armas químicas. Segundo o acordo, o regime Assad deve, entre outras medidas, disponibilizar o inventário de seu estoque de armas químicas para sua posterior destruição em meados de 2014.

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"Como eu já falei com (o presidente russo) Vladimir Putin há mais de um ano, e agora mais recentemente em São Petersburgo, a minha preferência sempre foi por uma resolução diplomática do assunto", disse, acrescentando, entretanto, que se não fosse uma ameaça militar significativa por parte dos EUA, o Conselho de Segurança não teria demonstrado inclinação para agir.

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