Social-democrata parece o mais propenso a fechar acordo após derrota do atual parceiro da coalizão de Merkel

Reuters

Os conservadores da chanceler alemã, Angela Merkel , se encaminhavam nesta terça-feira (23) para conversas com o principal rival da centro-esquerda, depois de pesos-pesados do campo político da primeira-ministra terem descartado a possibilidade de uma união com os ambientalistas do partido Verdes.

Resultados oficiais: Angela Merkel vence eleição na Alemanha

Apesar de vitória nas urnas: Merkel precisa buscar apoio da centro-esquerda

Chanceler alemã, Angela Merkel, cobre seu rosto enquanto conversa com presidente da CSU, Horst Seehofer, em Berlim
AP
Chanceler alemã, Angela Merkel, cobre seu rosto enquanto conversa com presidente da CSU, Horst Seehofer, em Berlim

Chanceler: Angela Merkel, a 'impiedosa operadora política' da Alemanha

O partido de Merkel, União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, e sua legenda-irmã da Baviera, a União Social-Cristã (CSU), alcançaram na eleição de domingo seu melhor resultado em mais de duas décadas , mas ficaram cinco cadeiras parlamentares abaixo do necessário para ter a maioria absoluta.

O Partido Social-Democrata (SPD) parece o mais propenso a fechar um acordo com Merkel, depois que o atual parceiro da coalizão de governo, o Democrático-Liberal (FDP), não conseguiu os 5% de votos requeridos para ter representação parlamentar. As outras legendas no novo Bundestag, a Câmara Baixa do Parlamento, serão os Verdes e o radical A Esquerda.

Temas, sistema eleitoral, cenário: Entenda a eleição da Alemanha

Alemanha: Direitos dos homossexuais vira principal tema na campanha

"Eu não manterei tais conversações ( com os Verdes ). Ponto final", disse o líder do CSU, Horst Seehofer, cujo partido conquistou vitórias esmagadoras na eleição estadual da Baviera, em 15 de setembro, e no pleito nacional, no domingo.

"Só posso dizer que flertar com os Verdes (...) iria fortalecer imediatamente a ala da direita", afirmou ele à revista Der Spiegel.

Ele aludia aos temores de conservadores de que uma guinada do CDU/CSU para a esquerda poderia estimular mais eleitores a se voltarem para partidos mais à direita, como o antieuro Alternativa para a Alemanha (AfD), que por pouco não conseguiu uma cadeira parlamentar na eleição de domingo.

Merkel declarou na segunda-feira que já havia feito contato com a liderança do SPD , mas não afastou a possibilidade de conversas com outros partidos, na busca por um governo estável que conduza a maior economia da Europa nos próximos quatro anos.

A ala mais conservadora do bloco de Merkel não gosta do pacifismo dos Verdes, que defendem grandes aumentos de impostos sobre os ricos. O CDU-CSU governou com o SPD em uma "grande coalizão" relativamente eficaz liderada por Merkel de 2005 a 2009.

Depois de ter sofrido sua segunda pior derrota eleitoral no pós-guerra, o SPD está dividido sobre se deve governar novamente com Merkel. Alguns no SPD dizem que a legenda deveria permanecer na oposição e focar no retorno ao poder em 2017.

Se concordar em se unir a um governo liderado por Merkel, o SPD provavelmente vai pressionar por grandes concessões, tais como um salário mínimo nacional e maiores impostos sobre os ricos. Pode também insistir em obter o cargo de ministro das Finanças, substituindo o atual detentor da pasta, Wolfgang Schaeuble, e outros postos, como o do Trabalho e o de Relações Exteriores.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.