Bento 16 nega ter acobertado abusos sexuais na Igreja

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Papa emérito rebate acusações de que não se empenhou para impedir agressões enquanto estava na Santa Sé

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O papa emérito Bento 16 negou que tenha tentado acobertar abusos sexuais cometidos por padres contra menores, em suas primeiras declarações públicas desde que renunciou ao papado, em fevereiro.

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A carta de 11 páginas foi enviada ao escritor e matemático italiano Piergiorgio Odifreddi, que escreveu um livro sobre os problemas que a Igreja Católica enfrentava antes da renúncia do pontífice alemão.

"Quanto à sua menção do abuso moral a menores por padres, só posso, como você sabe, admiti-lo com profunda consternação. Mas jamais tentei acobertar essas coisas", disse o papa emérito, em trechos publicados na terça-feira (24) com permissão dele pelo jornal italiano La Repubblica.

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Aparentemente, é a primeira vez que Joseph Ratzinger responde em primeira pessoa às acusações, embora o Vaticano sempre tenha dito que o papa emérito tenha se empenhado ao máximo para coibir os abusos sexuais, sem jamais tentar acobertá-los.

É também a primeira vez desde a renúncia que uma declaração de Joseph Ratzinger, oral ou escrita, é divulgada publicamente. Até agora, comentários seus haviam sido apresentados apenas de forma indireta, por pessoas que o visitaram no Vaticano.

Vítimas de abusos sexuais acusam Bento 16 de não ter se empenhado suficientemente em impedir as agressões, seja como papa ou antes, quando era chefe do departamento doutrinário da Santa Sé.

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Grupos de vítimas dizem que ainda há muitos fatos para serem descobertos a respeito de como a Igreja se comportou no passado, e querem que os bispos que estiveram cientes disso sejam responsabilizados.

Há cerca de dez anos, a imprensa noticiou o acobertamento sistemático de abusos sexuais, primeiro nos EUA, depois em outros países. Houve vários casos documentados de padres pedófilos que eram transferidos de paróquia em vez de serem denunciados às autoridades.

Depois disso, a Igreja Católica adotou em vários países novas regras para lidar com possíveis casos de abuso, inclusive com medidas para evitar que potenciais abusadores entrem para o clero.

Bento 16 anunciou em 11 de fevereiro que renunciaria, o que se tornou efetivo no dia 28 daquele mês. Ele foi o primeiro pontífice em quase 600 anos a deixar o cargo em vida.

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