Espionagem dos EUA deve marcar discurso de Dilma na 68ª Assembleia Geral da ONU

Por Leda Balbino - de Nova York* |

compartilhe

Tamanho do texto

Expectativa é de que presidente defenda internet livre, com menor controle sobre a rede mundial de computadores

A presidente Dilma Rousseff já avisou o líder americano, Barack Obama. Quando abrir na terça-feira (24) o debate da 68ª Assembleia Geral da ONU, seu discurso terá como linha guia as denúncias de que os EUA espionaram milhões de comunicações por telefone e por email no mundo, incluindo as dela própria, de seus assessores e da multinacional Petrobras. Em reação às denúncias, a presidente deve defender uma internet livre.

TV: Presidente Dilma foi alvo de espionagem dos EUA 

AP
Presidente Dilma Rousseff chega para encontro no Palácio da Alvorada, em Brasília (2/9)

Após Dilma: Documentos revelam que Petrobras foi alvo de espionagem

O discurso será feito exatamente uma semana depois de Dilma ter cancelado a visita como chefe de Estado que faria a Washington em 23 de outubro com o argumento de que houve falta de explicação dos EUA sobre o caso.

Sem condições: Dilma cancelou 'por ausência de apuração de espionagem'

Em seu discurso, a líder brasileira deve propor uma participação menor do Estado, e maior de universidades, empresas e atividades de pesquisa, na governança da internet. A ideia central é a de que uma internet sob controle estatal favorece a espionagem e a vigilância dos cidadãos.

A expectativa é de que a líder brasileira use palavras fortes para criticar o que setores do governo caracterizam como “espionagem industrial”, já que o Brasil não seria terreno para o terrorismo, principal argumento usado por Washington para justificar o monitoramento global que veio à tona com os documentos secretos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden.

Em meio à crise por espionagem: Nova embaixadora dos EUA chega ao Brasil

Defesa: Brasil e Argentina podem ter sistema conjunto de defesa cibernética

Logo após o discurso de Dilma, quem subirá ao palco para fazer seu pronunciamento é exatamente Obama. A presidente brasileira, cuja chegada a Nova York estava prevista para a manhã desta segunda-feira, deve manter na terça-feira um encontro bilateral com o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, antes de proferir seu discurso perante a Assembleia.

Outras prioridades do Brasil

Além do tema da espionagem, o Brasil terá outras pautas na Assembleia Geral, que reunirá aos menos 131 chefes de Estado e governo, além de ao menos 60 ministros de Relações Exteriores. Na tarde de terça-feira, Dilma deve discursar perante um fórum de alto nível sobre o desenvolvimento sustentável, como parte de vários eventos programados na esteira do que foi decidido na Rio+20.

Entenda: Saiba os principais pontos do documento da Rio+20

Durante a Assembleia Geral deste ano, prevê-se que um grupo de 30 integrantes apresente um plano de trabalho para conciliar os chamados Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), acordados na Rio+20, com as Metas do Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos pela ONU em 2000 para ser alcançados até 2015. O processo dos 30 especialistas deve ser concluído até 2014.

Na quarta-feira, em seu último dia em Nova York, a presidente brasileira deve discursar sobre economia durante um seminário do banco Goldman Sachs.

Depois de sua partida, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado deve manter até sexta-feira alguns encontros com outros minitros de Relações Exteriores. Entre eles estaria uma possível reunião com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, cujo provável tema seria o escândalo de espionagem. O encontro, porém, ainda não foi confirmado.

Além disso, Figueiredo Machado deve participar de reuniões com o G4 (Alemanha, Brasil, Japão e Índia), um dos grupos que propõem a reforma do Conselho de Segurança da ONU, e com os Brics, que reúne as economias emergentes da Rússia, Índia, China e África do Sul.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas