Ataque em Nairóbi matou 68 pessoas e deixou 175 feridos. Militantes do Al Shabad continuam no prédio com reféns

Mais de 49 pessoas estão desaparecidas
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Mais de 49 pessoas estão desaparecidas

Militantes islâmicos mantinham reféns neste domingo (22) em um shopping center em Nairóbi, onde pelo menos 68 pessoas foram mortas em um ataque do grupo somali Al Shabab , ligado à Al Qaeda, que exigiu do Quênia a retirada de suas tropas da Somália.

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Breves saraivadas de tiros e uma explosão interromperam a calmaria de várias horas. Um correspondente da Reuters observou uma movimentação de seguranças e, com o anoitecer, dois helicópteros voaram baixo sobre o shopping Westgate, que possui várias lojas de proprietários israelenses e é frequentado por quenianos prósperos e estrangeiros.

Os sinais de telefonia móvel começaram a falhar na área no começo da noite. O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, jurando continuar firme contra os militantes somalis, foi cauteloso sobre o resultado, dizendo que as chances de "neutralizar" os criminosos eram "tão boas... quanto se podia esperar".

"Vamos punir os mentores de forma rápida e dolorosa", acrescentou. Além dos mortos, mais de 175 pessoas foram feridas no ataque que começou perto do meio-dia no sábado, quando o shopping estava cheio de consumidores.

O foco de atenção neste domingo era a filial do supermercado Nakumatt no shopping, umas das maiores redes do Quênia. Um voluntário da Cruz Vermelha disse que nove corpos foram levados para fora da loja, aumentando o número de mortos para 68.

As autoridades não disseram quantos reféns estavam sendo mantidos, mas um canal de televisão queniano citou o número de 30.

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Ataques anteriores semelhantes a este, como um na Rússia, os ataques de 2008 em Mumbai ou o ataque da Al Qaeda em janeiro contra uma usina de gás da Argélia, somente terminaram após muitos reféns terem perdido suas vidas.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmou que três britânicos haviam morrido e disse: "Devemos nos preparar para mais más notícias."

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou para Kenyatta para expressar suas condolências sobre o que a Casa Branca chamou de "ataque terrorista" do Al Shabaab e ofereceu seu apoio para levar os criminosos à Justiça.

Outros estrangeiros, incluindo uma mãe francesa e sua filha além de dois diplomatas, do Canadá e de Gana, foram mortos no ataque que começou sábado, cuja autoria foi reivindicada pelo Al Shabaab. Outras vítimas eram da China e Holanda. Cidadãos norte-americanos ficaram feridos.

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Logo após o disparo dos tiros, tropas camufladas se aproximaram, agachadas, de um restaurante com terraço na fachada do edifício. No momento do ataque, o estabelecimento estava lotado de clientes.

Horas após o ataque, alguns mortos permaneciam jogados em cima de mesas e refeições inacabadas. Em uma hamburgueria, um homem e uma mulher jaziam enlaçados em um último abraço, antes que seus corpos fossem removidos.

Dezenas de quenianos se reuniram neste domingo em um local com vista para o shopping, à espera do que deverá ser um desfecho violento. "Eles entraram por meio do sangue, que é como eles vão sair", disse Jonathan Maungo, um guarda de segurança privada.

Kenyatta, enfrentando seu primeiro grande desafio de segurança desde que foi eleito em março, disse que perdeu familiares no ataque e prometeu derrotar os militantes.

Em discurso, ele pediu que os governos ricos não alertem seus cidadãos contra visitar o país, que é fortemente dependente das receitas turísticas, insistindo que ele não irá retirar as tropas quenianas da Somália:. "Nós não iremos ceder à guerra contra o terror."

Dizendo que todos os atiradores estavam concentrados em um lugar, Kenyatta acrescentou: "Com os profissionais no local, eu asseguro aos quenianos de que nós temos uma chance tão boa quanto podemos esperar de neutralizar com sucesso os terroristas".

Governos estrangeiros, incluindo Israel, ofereceram ajuda. Mas o grupo de atiradores bem armados e disciplinados não tem mostrado nenhuma hesitação em matar civis.

O porta-voz das operações militares do Al Shabbab disse à Reuters na Somália que seu grupo não tinha nada a temer: "Onde Uhuru Kenyatta vai arranjar o poder com o qual nos ameaça?" disse Sheikh Abdiasis Abu Musab.

O ataque é o maior já visto no Quênia desde que a célula da Al Qaeda no leste da África bombardeou a embaixada norte-americana em Nairóbi em 1998, matando mais de 200 pessoas.

*Com Reuters, AP e Agência Brasil

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