Dois integrantes do grupo armado teriam sido mortos pela polícia. Organização somali Al Shabab, ligado a Al Qaeda, assumiu autoria

Ao menos 59 pessoas morreram e cerca de 175 ficaram feridas neste sábado (21) após ataque de atiradores que invadiram um shopping center em Nairóbi, no Quênia, segundo o presidente queniano, Uhuru Kenyatta. O grupo militante islâmico somali Al Shabab assumiu a autoria do ataque em sua conta no Twitter e disse ter matado cem pessoas.

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O shopping esvaziado após o ataque deste sábado em Nairóbi
AP
O shopping esvaziado após o ataque deste sábado em Nairóbi

"Os perpetradores desprezíveis desse ato covarde queriam intimidar, dividir e causar desalento entre os quenianos", disse o presidente em discurso à nação televisionado. "Já superamos ataques terroristas antes. Vamos derrotá-los de novo."

Kenyatta afirmou ainda que ele próprio perdeu parentes próximos no tiroteio. Falando às famílias das vítimas, ele afirmou no discurso: "Peço a Deus para lhes dar conforto no momento em que enfrentam essa tragédia, e sei o que vocês sentem, pois também perdi membros da família muito próximos nesse ataque."

A ação

Testemunhas disseram que, ao chegar no shopping, os atiradores mandaram todos os mulçumanos fugir, e declararam que os infiéis seriam seus alvos. "Estamos tratando isso como um ataque terrorista", disse o chefe de polícia de Nairóbi, Benson Kibue, acrescentando que o ataque foi realizado por não mais que 10 terroristas.  

As forças de segurança quenianas chegaram a prender um suspeito de ser um dos atiradores, mas ele e pelo menos mais um outro atirador teriam morrido após serem baleados, afirmou a Presidência do Quênia. Em um tuíte separado, o chefe da polícia do país do leste africano, David Kimaiyo, disse que vários outros atiradores foram presos depois de soldados e policiais entrarem no shopping para caçá-los


Segundo a AP, o grupo fundamentalista islâmico Al Shabab reivindicou a autoria do ataque.  Ligado à Al Qaeda, o grupo afirma que o Quênia havia recebido repetidos avisos para retirar suas tropas da Somália sob pena de sofrer "consequências graves". "O governo queniano, no entanto, se fez de surdo às nossas repetidas advertências e continuou a massacrar inocentes muçulmanos na Somália", disse o grupo em seu Twitter oficial.

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"As mortes são muitas, e isso é apenas o que vemos do lado de fora", afirmou o secretário-geral da Cruz Vermelha Queniana, Abbas Guled. "Dentro, há ainda mais mortes, e os tiroteios continuam."


Pânico

Após o atentado, helicópteros da polícia sobrevoavam o local, enquanto a polícia gritava "sai, sai", com centenas de pessoas fugindo do shopping. Por uma das entradas do estabelecimento saía fumaça, e testemunhas disseram ter ouvido explosões de granadas.

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Alguns tiros puderam ser ouvidos duas horas após o início do tiroteio, depois que a polícia invadiu o prédio em busca dos agressores, loja por loja. Algumas emissoras de televisão locais informaram a presença de reféns, mas não houve confirmação oficial dessa informação.

"Eles não parecem ser ladrões. Isso não é um assalto", afirmou Yukeh Mannasseh, que estava no andar de cima do shopping quando o tiroteio começou. "Parece ser um ataque. Os guardas que os viram disseram que eles atiravam indiscriminadamente."

Uma testemunha, que se identificou como Taha, disse ter ouvido som de freios, seguido por uma explosão e um tiroteio no piso inferior momentos depois. Outro sobrevivente disse ter sido atingido por um homem que parecia somali.

Alguns clientes subiram as escadas e se esconderam no complexo de cinema do shopping. A polícia encontrou outro grupo escondido em um toalete do primeiro piso.

Pelo menos duas dúzias de feridos foram retirados do local em macas e carrinhos de compras. Muitas das vítimas tinham alguns ferimentos leves, aparentemente causados por destroços que voaram sobre elas. Algumas pessoas conseguiram sair andando, porém com roupas manchadas de sangue envolvendo seus ferimentos. A polícia isolou as ruas em torno do shopping, que fica no bairro central Westlands.

*Com CNN, Reuters, BBC e AP

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