Número de mortos por tempestades no México sobe para 97

Por iG São Paulo |

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Número oficial não contabiliza os 68 desaparecidos em deslizamento de terra no vilarejo de La Pintada

As duas tepestades que atingiram o México em menos de 24 horas, provocando enchentes e deslizamentos de terra por todo o país, deixaram ao menos 97 mortos, informou o governo do país na quinta-feira (19). Entre os mortos, não estão somados os 68 desaparecidos no deslizamento de terra de La Pintada, que enterrou dezenas de casas no vilarejo.

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AP
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O ministro do Interior Miguel Ángel Osório Chong disse que soldados retiraram dois corpos do deslizamento e continuavam a fazer buscas em meio à lama. Ele afirmou que o trabalho das equipes de resgate tem sido dificultado, porque ainda escorre água das montanhas, provocando riscos de novos deslizamentos.

Todos os cerca de 400 sobreviventes do vilarejo de La Pintada conseguem lembrar onde estavam no exato momento do deslizamento mortal, ocorrido na tarde de segunda-feira, no dia da Independência do México.

Nancy Gomez, 21 anos, disse na quinta-feira que ouviu um barulho estranho e foi para o portão da casa onde vivia com sua família, com seu filho de um ano em seu colo. Ela viu o chão se mexer, e foi empurrada pelo seu pai, que tentava deixá-la em algum local seguro. Ela nunca mais o viu. Ele está entre os 68 desaparecidos do deslizamento.

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"Eu gritei muito para que eles me resgatassem, mas eu não sei da minha mãe, do meu pai ou do meu primo", disse Nancy.

Os desaparecidos de La Pintada não estavam incluídos na contagem oficial do número de mortos, segundo o coordenador de Defesa Civil nacional do México, Luís Felipe Puente. Cerca de 35 mil casas no país foram danificadas ou destruídas. Chong acrescentou que ele agora tem a lista de nomes dos 68 desaparecidos dos residentes de La Pintada, mas sugeriu que alguns deles podem estar vivos e podem ter se refugiado em vilarejos vizinhos.

Autoridades federais estabeleceram centros de doação para ajuda na quinta-feira, mas eles enfrentaram duros questionamentos sobre por que, em vez de alertar a população de maneira mais enfática sobre as tempestades, eles se concentraram nas celebrações do Dia da Independência e em uma parada militar que deixou dezenas de aviões e veículos de emergência na Cidade do México em vez de estarem nas cidades mais necessitadas.

O porta-voz da segurança federal Eduardo Sanchez rebateu as críticas, dizendo a repórteres que os "protocolos foram seguidas à risca".

A tempestade Manuel, que devastou Acapulco, ganhou força e se transformou em furacão antes de seguir para o Estado de Sinaloa, ao norte, na manhã de quinta-feira. Depois, voltou a perder força, retornando ao status de tempestade tropical.

Homem usa corda para atravessar rio depois que ponte ficou destruída com chuvas provocadas pela tempestade Manuel próximo a Petaquillas, México (18/9). Foto: APCentenas de turistas se reúnem do lado de fora da Basea Aérea para tentar pegar um voo e deixar Acapulco em direção à Cidade do México (17/9). Foto: APChuva fez ponte desabar sobre o rio Huacapa, perto da cidade de Petaquillas, no México. Foto: AP Photo/Alejandrino GonzalezCidade de Acapulco, no México, é atingida pelos reflexos da tempestade Manuel. Foto: AP

O governador de Sinaloa, Mario López Valdez, disse que 100 mil foram afetados pela tempestade e que um pescador se afogou no vilarejo de Yameto. Ele não afirmou se essa morte estava incluída no número oficial de 97.

Na quinta-feira, o presidente do México Enrique Peña Nieto disse que estava cancelando sua viagem a Nova York, nos EUA, para a Assembleia Geral da ONU por causa da tragédia.

Centenas de turisas em Acapulco passaram o dia inteiro na quinta-feira em fila na base aérea esperando por uma oportunidade de embarcar em um dos aviões militares que, aos poucos, retirava as pessoas do balneário turístico em direção à Cidade do México. A cidade ficou isolada depois que duas estradas foram bloqueadas por dezenas de deslizamentos.

Com AP

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