Ataque em Washington foi trabalho de um atirador e reacende debate sobre armas

Por iG São Paulo |

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Motivo do ataque continua um mistério; suspeito foi oficial da reserva e teve problemas com discriminação

O ataque mortal a um prédio da Marinha dos EUA em Washington foi realizado por um único atirador: um empregado contratado e ex-oficial da reserva que usou um crachá válido para entrar no complexo e disparar, deixando 12 mortos antes de ele mesmo ser morto em uma troca de tiros com a polícia.

Polícia: Ataque a prédio da Marinha nos EUA deixa ao menos 13 mortos

AP
Três mulheres se abraçaram perto do Parque Nacional onde familiares esperaram notícias sobre seus entes queridos

Obama: Ataque a prédio da Marinha nos EUA foi 'ato covarde'

Testemunhas do ataque: 'Ouvimos os tiros e começamos a correr'

O motivo do ataque - o mais mortal em uma instalação militar nos EUA desde a tragédia em Fort Hood, Texas, em 2009 - ainda é um mistério, segundo investigadores. Mas o perfil do suposto atirador, Aaron Alexis, 34 anos, se tornou o principal foco. Ele foi descrito como um budista que já apresentou acessos de raiva e havia feito reclamações da Marinha. Ele foi vítima de discriminação, e teve vários desentendimentos com a polícia.

O ataque logo reacendeu o debate sobre o controle de armas nos EUA. O presidente Barack Obama lamentou "outro ataque em massa a tiros" nos EUA e prometeu que "quem quer que tenha cometido esse ato covarde será responsabilizado". Obama não conseguiu aprovar a legislação para o controle de armas no Congresso em meio a uma feroz reação de políticos conservadores e de proprietários de armas.

Aaron Alexis: Suspeito de ataque a prédio da Marinha é identificado

O ataque de segunda-feira em um prédio de segurança máxima na base naval teve início às 8h20 (9h20 em Brasília) no coração da capital norte-americana, a menos de sete quilômetros da Casa Branca e três quilômetros do Capitólio.

O prefeito Vincent Gray afirmou que não havia nenhuma indicação de que se tratava de um ataque terrorista, mas acrescentou que a possibilidade não estava descartada. "É uma tragédia horrível", disse.

Alexis carregava três armas: um fuzil AR-15, uma espingarda e uma pistola que ele pegou de um policial no local, segundo dois policiais federais que falaram à agência Associated Press (AP) em condição de anonimato, pois não estavam autorizados a discutir sobre a investigação.

AP
Foto fornecida pelo FBI mostra o suspeito de ser atirador que morreu depois de matar 12 em ataque a prédio da Marinha em Washington

O AR-15 é o mesmo tipo de fuzil utilizado no massacre na escola de Newtown, Connecticut, que deixou 20 estudantes e seis funcionárias mortos. A arma também foi usada no ataque ao cinema do Colorado que deixou 12 mortos e feriu 70.

Ainda não se sabe ao certo qual impacto esse último ataque terá no debate sobre controle de armas nos EUA. Os defensores do controle ganharam força em dezembro após o massacre na escola de Connecticut. Esse ataque fez Obama propor uma lei mais rígida em relação às armas de fogo, que foi barrada no Senado.

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney reiterou o compromisso do governo Obama de endurecer essas leis, incluindo expandir a checagem do histórico dos compradores.

Os proprietários de armas, auxiliados pela Associação Nacional de Rifles, conseguiram derrotar com sucesso a proposta de Obama, embora as pesquisas apoiassem um endurecimento dessas leis.

A maior parte do dia, autoridades afirmaram que estavam procurando por um possível segundo atirador que estaria vestido com roupas de estilo militar. Mas na noite de segunda-feira, eles afirmaram estar convencidos de que o ataque foi trabalho de um único homem. "Agora estamos confortáveis para dizer que temos uma única pessoa responsável pelas perdas de vidas dentro da base hoje", disse a chefe da polícia de Washington Cathy Lanier. O FBI se encarregou da investigação.

Além dos 12 mortos no prédio da Marinha, oito pessoas ficaram feridas, incluindo três que foram baleadas, segundo o prefeito. Entre os três baleados, estava um policial e duas civis, disseram autoridades. Todos eles devem sobreviver. Os mortos tinham idades entre 46 a 73 anos, segundo o prefeito. A maioria eram funcionários civis.

Alexis era um funcionário do The Experts, uma empresa subcontratada do Departamento de Defesa, segundo autoridades. Valerie Parlave, chefe do FBI em Washington, disse que Alexis teve acesso à base naval como um contratado da Defesa e usou um crachá válido.

Alexis foi um oficial da reserva em tempo integral de 2007 a 2011, deixando a corporação como um suboficial de terceira classe, disse a Marinha. Ninguém sabe por qual razão ele saiu. Um convertido ao budismo que cresceu em Nova York, Alexis teve problemas com a polícia em incidentes envolvendo armas em 2004 e em 2010 em Fort Worth e Seattle.

Veja imagens do ataque a um prédio da Marinha em Washington:

Funcionários do prédio da Marinha se emocionam ao encontrar seus familiares após ataque. Foto: ReutersFuncionários receberam água e comida quando saíram do prédio da Marinha. Foto: APFuncionários que estavam no prédio no momento do ataque são levados a um abrigo onde se encontraram com familiares. Foto: ReutersFuncionários da Marinha circulam perto do prédio que sofreu ataque a tiros. Foto: ReutersMoça busca informações de um parente que trabalhava no prédio da Marinha. Foto: ReutersAtiradores de elite da polícia se posicionam em cima do telhado do prédio onde houve um ataque a tiros. Foto: ReutersBarcos da polícia patrulham região próxima ao prédio da Marinha. Foto: APMembros do corpo da Marinha de Washington bloqueiam área próxima ao tiroteio. Foto: ReutersO Sistema de Comando Naval é o maior dos cinco sistemas e recebe 25% de todo o orçamento da Marinha dos EUA. Foto: ReutersPessoas socorrem vítima que estava na base naval em Washington. Foto: APPolícia posiciona equipamento em frente a prédio da Marinha onde atirador abriu fogo em Washington. Foto: APEquipes de emergência respondem à chamada de tiros em um prédio da Marinha em Washington. Foto: APHelicóptero da polícia americana retira homem em cesta de um prédio da Marinha em  Washington. Foto: APPoliciais trabalham em frente a um prédio da Marinha, em Washington, onde foram reportados tiros. Foto: AP

O ataque aconteceu no prédio 197, a sede do Comando dos Sistemas Navais, que compra, constrói e mantêm navios e submarinos. Cerca de 3 mil funcionários trabalham na sede, a maioria deles civis.

Testemunhas na segunda-feira descreveram o atirador abrindo fogo a partir do quarto andar, apontando a arma para baixo, em direção a uma cafeteria. Outros falaram de um atirador disparando em um corredor do terceiro andar.

Com AP

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