Tribunal condena quatro indianos à morte por estupro coletivo em ônibus

Por iG São Paulo |

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Condenados poderão recorrer à Suprema Corte e pedir clemência do presidente; caso chocou a Índia e o mundo

Um tribunal indiano sentenciou à morte nesta sexta-feira (12) quatro homens condenados pelo estupro coletivo e morte de uma jovem em um ônibus de Nova Délhi, ordenando-os à forca pelo brutal ataque que deixou a vítima com graves ferimentos internos. Ela morreu duas semanas depois em um hospital de Cingapura.

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O ataque provocou indignação em todo mundo e na Índia, onde o caso foi visto como um reflexo dos maus tratos às mulheres e da incompetência do governo para lidar com o crime. "Nesses momentos, quando o crime contra as mulheres aumenta, os tribunais não podem ficar cegos diante desses casos horríveis", disse o juiz Yogesh Khanna ao anunciar a sentença. Ele disse que o ataque "chocou o consciente coletivo" da Índia.

Após o anúncio da sentença de morte, o lamento de Vinay Sharma, 20 anos, um dos condenados, preencheu a pequena sala de audiência. Sharma, um assistente de academia de ginástica, em seguida, chorou de soluçar.

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Enquanto Khanna caminhava em direção à sua cadeira, o advogado de defesa A.P. Singh, que defendeu os quatro homens, começou a gritar: "Essa não é a vitória da verdade. Mas essa é a derrota da Justiça."

Como em todas os casos que resultam em pena de morte, a decisão de Khanna deverá ser confirmada na Suprema Corte do país. Os quatro réus podem apelar ao Supremo Tribunal, e pedir clemência ao presidente.

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A família da vítima, ao lado de vários políticos e autoridades do governo, há muito tempo pedem a execução dos condenados. A família estava na sala de audiência quando a sentença foi anunciada, e ficaram aliviados com o resultado. "Estou muito feliz que nossa garota teve justiça", disse o pai da vítima, que não pode ser identificada porque as leis da Índia protegem os nomes das vítimas de estupro.

Segundo a polícia, os homens estavam andando pela cidade em um ônibus fora de serviço, quando se depararam com a mulher e seu amigo esperando em um ponto de ônibus. Os dois estavam indo para casa depois de terem assistido no cinema ao filme "As Aventuras de Pi". Não era tarde. Não era um bairro perigoso. O ônibus aparentava ser o mesmo que os deixaria em casa.

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Em vez disso, os homens espancaram seu amigo, seguraram a vítima e a estupraram repetidamente. Eles atacaram-na com barras de metal, causando graves ferimentos internos que provocaram sua morte duas semanas depois.

A Suprema Corte da Índia decidiu que a pena de morte somente deverá ser usada em casos raros, embora o que determine a raridade de um processo seja tema de um acalorado debate. Apenas duas pessoas - ambas terroristas - foram executadas na Índia desde 2004.

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O ministro do Interior Sushilkumar Shinde, que no início da semana havia dito que as sentenças de morte estavam garantidas, elogiou a sentença. "A vítima e sua família tiveram justiça. Foi um crime covarde", disse a repórteres em Nova Délhi. "O juiz estabeleceu um exemplo a esses elementos de que eles podem ter um destino igual se cometerem tais crimes."

O advogado de defesa, entretanto, disse que os políticos influenciaram o julgamento. "O juiz deu a sentença de morte sob pressão política", disse. "A punição foi dada por insistência do governo."

Cerca de 100 a 150 pessoas são sentenciadas à morte na Índia, mas na grande maioria das vezes, a pena é revertida para a prisão perpétua.

Com AP

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