Israel acompanha idas e vindas da crise na Síria com olhar atento ao Irã

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

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ONU, Rússia e EUA discutem saída de crise após recuo de Obama em realizar impopular ataque a regime de Assad

A confusão corrente em torno da questão do suposto uso de armas químicas pela Síria precipitou o que se chama de crise. O imediatismo da reação retórica pelo presidente Barack Obama e seus principais assistentes, como o secretários de Estado e de Defesa, não foi pensado pelas suas possíveis inúmeras consequências.

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AP
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Uma inesquecível foi a do Parlamento Inglês, negando que seu primeiro-ministro cooperasse com os Estados Unidos em uma ação de força para punir o presidente Bashar Al-Assad. Foi inteiramente imprevisível, pois não há lembrança recente de uma recusa inglês de trabalhar junto aos americanos. Foi o primeiro "não" que enfraqueceu a posição política de Obama, neste caso. As diversas reações, no mesmo sentido, forçaram um recuo.

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A situação criada ofereceu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, a oportunidade de se opor decisivamente aos Estados Unidos. É sabido que o líder russo está sempre à procura de chances para se colocar como grande potência. Enquanto isso, Obama insiste que uma reação ao governo sírio é um dever moral, pois nenhum país pode se esquecer da proibição do uso de armas químicas e biológicas. Também a ONU e seu conselho superior de defesa da paz, o Conselho de Segurança, não conseguem chegar a um consenso sobre a lição a ser aplicada contra Assad.

Falando a seu próprio povo e ao mundo em geral, Obama se viu forçado a recuar sobre o uso da força militar. Os Estados Unidos ainda são, de fato, a maior potência mundial. Entretanto, a promessa inicial de ataque se revelou um erro político-tático e estratégico. Ao mundo cansado de guerra, mostrou que já não tem, excluindo Israel, suficientes aliados para ações políticas ou militares.

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Prever como vai terminar o caso envolvendo Obama e Assad é especular de maneira irresponsável. Algo será realizado, pois os Estados Unidos não aceitariam uma desmoralização. Firme aliado da Síria, ao que consta, Irã prossegue no caminho de se transformar numa potência atômica.

O caso sírio terá de ser resolvido o mais cedo possível. O próprio Obama já declarou em diversas oportunidades que é inaceitável um Irã atômico, nuclearizado. Israel não esconde que um Teerã nuclear representa uma ameaça ao seu território.

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Há 40 anos, o Egito do presidente Anwar Sadat atravessou o Canal de Suez e ultrapassou a linha israelense de defesa da margem do canal, conquistada na guerra de 1967, juntamente com o domínio de todo o Deserto do Sinai. Pegou Israel de surpresa em um Yom Kipur, dia mais sagrado da religião judaica, no qual acredita-se que Deus decide a sorte dos homens para o próximo ano, o dia do julgamento ou do perdão.

Na última quinta-feira, o general da reserva israelense confessou ter ouvido na época de Moshe Dayan, então ministro de defesa em 1973, a expressão: “O Terceiro Templo está na iminência de ser destruído”. Atacado pelo lado sírio e, com sucesso inicial, pelo Egito, Israel corria o risco iminente de perder a guerra.

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Poderá ser considerada audaciosa operação do então general israelense Ariel Sharon que, com uma pequena tropa, atravessou o Canal de Suez e invadiu o lado egípcio, chegando a um aeroporto, a 100 quilômetros do Cairo, anterando os rumos da batalha. Em seguida, entraram em ação representantes do governo americano com as Nações Unidas e conseguiram implementar o cessar-fogo.

Esta é uma outra história que ensinou Israel a nunca adormecer nas fronteiras. O resultado final foi a primeira declaração de paz de um país árabe em relação a Israel, assinado por Sadat, do Egito, e Israel, de Menahem Beguin. 

*colaborou Nelson Burd

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