Vítima se tornou um símbolo dos perigos diários que as mulheres enfrentam em um país onde esse tipo de abuso é denunciado à polícia, em média, a cada 21 minutos

Reuters

Promotores indianos pediram nesta quarta-feira (11) a pena de morte para quatro homens acusados de estuprar e assassinar uma estagiária de fisioterapia de 23 anos em dezembro, dizendo que era importante enviar um sinal para o país de que tais crimes não seriam tolerados.

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"O homem comum vai perder a fé no Poder Judiciário se a punição mais severa não é dada", disse o promotor especial público Dayan Krishnan ao juiz Yogesh Khanna, que vai anunciar a sentença dos réus na sexta-feira (13).

A opinião popular em sites de mídia social e comentários feitos pelos principais políticos sugerem que muitos indianos querem ver os homens enforcados por um crime que cuja brutalidade chocou até mesmo um país onde crimes sexuais contra mulheres são frequentes.

Ativistas indianas seguram cartazes durante protesto contra estupro coletivo de uma fotojornalista em Mumbai
AP
Ativistas indianas seguram cartazes durante protesto contra estupro coletivo de uma fotojornalista em Mumbai

O caso repercutiu entre milhares de indianos que foram às ruas em fúria após o ataque. A vítima se tornou um símbolo dos perigos diários que as mulheres enfrentam em um país onde esse tipo de abuso é denunciado, em média, a cada 21 minutos e onde ataques com ácido e incidentes de abuso sexual são comuns.

Os homens foram considerados culpados na terça-feira de assediarem a mulher e um amigo dela em um ônibus quando a dupla voltava para casa após assistir a um filme em um shopping center em 16 de dezembro. Enquanto o ônibus atravessava as ruas da capital, os homens estupraram a vítima repetidamente antes de jogar ela e seu amigo nus e semiconscientes na rua.

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Os homens usaram uma haste de metal e as mãos para retirar os órgãos da mulher de seu corpo depois de estuprá-la, disse Krishnan. Seus ferimentos eram tão graves que ela morreu no hospital em Cingapura duas semanas após o ataque. "Este é um caso extremo de depravação", disse Krishnan.

Sob a lei indiana, a pena de morte é reservada para os "mais raro dos raros casos". Mesmo quando essa pena é imposta, as autoridades raramente realizam execuções. "Enforque-os, enforque-os", cantou um pequeno grupo de manifestantes do lado de fora do tribunal.

Há 477 prisioneiros no corredor da morte na Índia, de acordo com o Ministério do Interior. No ano passado, a Índia realizou seu primeiro enforcamento em oito anos, quando executou o único sobrevivente de um esquadrão de militantes baseado no Paquistão que atacou Mumbai em 2008, matando 166 pessoas.

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