Tribunal condena quatro indianos por estupro coletivo em ônibus de Nova Délhi

Por iG São Paulo |

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Sentença será anunciada na quarta-feira; condenados podem enfrentar pena de morte por enforcamento

Um tribunal indiano condenou quatro homens nesta terça-feira (10) por terem estuprado e matado uma jovem em um ônibus em Nova Délhi, um crime brutal que provocou indignação mundial e atraiu atenção para a deficiência da Índia em levar acusados de violência sexual à Justiça.

Enquanto o veredicto era pronunciado no tribunal, manifestantes do lado de fora gritavam: "Enforque-os! Enforque-os!"

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AP
Manifestantes indianos interpretam enforcamento do lado de fora do tribunal onde houve o julgamento dos acusados de estuprar e matar uma jovem em um ônibus de Nova Délhi

Os homens foram condenados por todas as acusações contra eles, incluindo estupro e assassinato, e agora podem enfrentar a pena de morte por enforcamento. As sentenças devem ser anunciadas na quarta-feira.

O juiz Yogesh Khanna disse em seu veredicto que os homens, que estupraram a jovem de 23 anos e espancaram seu amigo que a acompanhava dentro do ônibus em movimento, "assassinaram uma pessoa indefesa". A vítima, que segundo a lei indiana não pode ser identificada, morreu semanas depois em um hospital de Cingapura em decorrência dos ferimentos.

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Manifestantes caracterizaram o ataque de 16 de dezembro como um alerta para a Índia, onde mulheres há muito tempo têm suportado todo o tipo de agressão sexual, mas frequentemente culpam a si mesmas pelos ataques e não procuram as autoridades. A polícia é acusada de muitas vezes desqualificar os casos e sugerir até mesmo que a vítima se case com seu agressor.

Os advogados dos acusados insistiram que os homens foram torturados e que algumas confissões foram feitas sob ameaça. A.P. Singh, que atuou como advogado de todos eles, afirmou que eles eram inocentes. "Esses acusados foram enquadrados simplesmente para agradar o público", disse a repórters. "Isso não é um julgamento justo."

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Os homens foram identificados pelo amigo que acompanhava a vítima, e a polícia disse que era possível ver seus rostos nas câmeras de segurança próximas ao ônibus.

Segundo a polícia, os homens estavam andando pela cidade em um ônibus fora de serviço, quando se depararam com a mulher e seu amigo esperando em um ponto de ônibus. Os dois estavam indo para casa depois de terem assistido no cinema ao filme "As Aventuras de Pi". Não era tarde. Não era um bairro perigoso. O ônibus aparentava ser o mesmo que os deixaria em casa.

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Em vez disso, os homens espancaram seu amigo, seguraram a vítima e a estupraram repetidamente. Eles atacaram-na com barras de metal, causando graves ferimentos internos que provocaram sua morte duas semanas depois.

A vítima havia acabado suas provas para se graduar em fisioterapia. Seu pai ganhava pouco mais de US$200 por mês como carregador de bagagens em um aeroporto e a filha era, para toda a família, a esperança de chegar à classe média indiana.

Os réus, assim como a vítima, também têm origem humilde. Um deles, Mukesh Singh, dirigia o ônibus ocasionalmente. Outro, Vinay Sharma, era um assistente de uma academia e o único formado no ensino médio. Akshay Thakur, 28 anos, ocasionalmente trabalhava como ajudante de motorista de ônibus. Pawan Gupta, 19 anos, vendia frutas.

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Junto a eles havia dois outros homens. Segundo a polícia, Ram Singh, 33 anos, se enforcou na prisão, embora sua família insista que ele foi assassinado. Ele era irmão de Mukesh Singh, que foi condenado nesta terça. Outro homem - de 18 anos, mas que era menor de idade quando o ataque foi realizado e não pode ser identificado - foi condenado em agosto e ficará três anos em um reformatório.

Diante dos protestos e da pressão política após o ataque, o governo fez reformas em algumas leis antiquadas em relação à violência sexual, criando cortes mais eficientes para evitar que esse tipo de crime demora cerca de uma década para ser julgado. O julgamento dos quatro homens, que levou cerca de sete meses, foi extremamente rápido para os padrões indianos. Eles podem apelar das condenações.

Com AP

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