Estatal não admite diretamente a possibilidade de ter sido espionada, mas reconhece que "ataques concorrenciais se tornam cada vez mais complexos”

A Petrobras divulgou uma nota na tarde desta segunda-feira (9) sobre as denúncias de que a companhia teria sido alvo de espionagem pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA). A estatal informou que investe “permanentemente” em proteção tecnológica e que as informações internas são tratadas com soluções, como criptografia, adequadas ao risco em caso de eventual vazamento.

Dilma: Suposta espionagem dos EUA tem motivação econômica

Reunião com Rice: Chanceler brasileiro viaja aos EUA para ouvir explicações

Crise: Após denúncias, Senado brasileiro pedirá à Rússia para visitar Snowden

Denúncias: Após Dilma, Petrobras teria sido alvo de espionagem dos EUA

"A Petrobras informa que dispõe de sistemas altamente qualificados e permanentemente atualizados para a proteção de sua Rede Interna de Computadores (RIC)", disse a nota. A companhia declarou que investe fortemente em proteção tecnológica e ressaltou que executa todos os procedimentos reconhecidos como "melhores práticas de mercado na proteção de sua rede interna e de seus dados e informações”. “O tráfego na RIC e o fluxo de dados entre a RIC e o ambiente externo (rede mundial de computadores) são monitorados permanentemente", frisou a Petrobras.

O caso veio à tona uma semana após a denúncia de que a presidente Dilma Rousseff era alvo de monitoramento dos EUA. A reportagem da TV Globo foi realizada com base em documentos fornecidos por Edward Snowden , ex-funcionário terceirizado da NSA. O programa exibiu slides de uma apresentação da NSA, com data de maio de 2012, que teria sido usada para treinar novos agentes a espionar redes privadas de computadores. Além da Petrobras, o Google teria sido alvo da ação da NSA.

Documentos revelam que Petrobras teria sido alvo de espionagem dos EUA
Agência Estado
Documentos revelam que Petrobras teria sido alvo de espionagem dos EUA

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (9), por meio de nota, que, caso sejam comprovadas, as denúncias de espionagem americana a Petrobras evidenciam que o monitoramento dos EUA visam atender interesses econômicos e estratégicos e não somente a segurança nacional e o combate ao terrorismo.

Ainda na nota, a companhia citou que descarta 90% das mensagens externas de correio eletrônico por apresentarem características potencialmente danosas. "Tais características poderiam ter, eventualmente, possibilitado algum tipo de acesso a dados da Petrobras. Ressalta-se, no entanto, que os dados constantes dos arquivos da companhia são continuamente atualizados à medida que as centenas de projetos têm andamento."

Resposta: Abin cria sistema para proteger dados contra espionagem

Semana passada: Presidente Dilma foi alvo de espionagem dos EUA, diz TV

A empresa destacou ainda que desenvolve programas internos para orientar seus funcionários sobre a importância da classificação correta das informações e de seu tratamento. "As informações internas são classificadas e tratadas com soluções tecnológicas, como criptografia, adequadas aos níveis de proteção associados ao risco de prejuízos para a Petrobras, em caso de eventual vazamento de informação."

No texto, a Petrobras não admite diretamente a possibilidade de ter sido espionada, mas reconhece que "ataques concorrenciais e outros se tornam cada vez mais complexos, o que continuará a exigir da Petrobras investimentos permanentes e significativos em tecnologia de proteção a dados e informações".

Investimentos que, ressaltou, são compatíveis com os das demais empresas de mesmo porte no setor de petróleo mundial.

Brasil: Leia todas as notícias sobre a espionagem no País

Em meio às denúncias, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, vai se reunir entre quarta e quinta-feira com a conselheira de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice, em Washington, com o objetivo de cobrar as explicaçõesprometidas por Obama sobre as denúncias de espionagem a presidente Dilma, empresas e assessores brasileiros.

Na semana passada, em São Petersburgo, na Rússia, durante a cúpula do G20, Dilma e Obama conversaram sobre o mal-estar causado pelas denúncias de espionagem a presidente. Segundo ela, Obama prometeu responder às perguntas encaminhadas pelo governo do Brasil . De acordo com a presidente, se for necessário voltrá a conversar com Obama.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.