Alemanha se une aos 11 países do G20 em defesa de ‘resposta firme’ contra Síria

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Comunicado pediu 'resposta internacional' contra país, mas não especifica apoio a ataque militar; Brasil não assina

A Alemanha decidiu juntar-se ao grupo de 11 países do G20 que defendem uma "resposta internacional firme" contra o uso de armas químicas na Síria contra o regime de Bashar al-Assad, anunciou neste sábado (7) o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle .

O comunicado, entretanto, não apoia especificamente a intervenção militar proposta pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

Leia mais: Obama pede ao Congresso que "não fique cego" diante da Síria

Em coletiva: Obama reconhece divisão no G20 sobre Síria

O ministro alemão fez o anúncio ao participar da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Vilnius explicando que não assinou a declaração do G20, na sexta-feira (6), não porque tivesse alguma "objeção notável", mas, sim, porque queria consultar os países europeus.

"A Alemanha encara-se como o advogado dos pequenos países da União Europeia que não se sentam à mesa do G20", argumentou o ministro, sublinhando que a posição da França, de esperar pelo relatório dos peritos das Nações Unidas enviados à Síria antes de decidir qualquer ação, foi uma contribuição realmente decisiva".

Num comunicado de hoje, a chanceler alemã, Angela Merkel, considera que a posição comum emitida pela União Europeia é de "importância inestimável" e acrescenta que "o sucesso de Vilnius mostra até que ponto a posição da Alemanha, em São Petersburgo, de pugnar por uma posição comum europeia, era o caminho certo".

Infográfico 1: O que está em jogo para o Oriente Médio com a guerra síria

Infográfico 2: Saiba como EUA planejam ataque militar contra a Síria

Na terça-feira (3), a chanceler disse, em um debate no Parlamento, que era "claro que a Alemanha não vai participar em qualquer ação militar", acrescentado que defenderia "uma resposta uníssona da comunidade internacional".

O comunicado foi assinado por líderes e representantes da Austrália, Canadá, França, Itália, Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Espanha, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. O Brasil, que defende que uma intervenção estrangeira deve passar pela ONU, não assinou o comunicado.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Resolução: Comissão do Senado dos EUA autoriza ação militar na Síria

Os signatários também "reconhecem que o Conselho de Segurança da ONU permanece paralisado, como vem estado há dois anos e meio. O mundo não pode esperar intermináveis processos fracassados que só levam sofrimento à Síria. Apoiamos os eforços dos EUA e de outros países para reforçar a proibição do uso de armas químicas".

Nos últimos dois anos e meio, as tentativas de aplicar sanções econômicas contra a Síria fracassaram no Conselho de Segurança da ONU, porque a Rússia e a China, aliadas a Assad, possuem poder de veto.

Veja imagens do ataque químico na Síria:

Imagem fornecida pelo Gabinete de Mídia de Douma mostra sírio ao lado de corpos de vítimas mortas por suposto ataque químico. Foto: APCrianças afetadas por suposto ataque químico respiram com máscaras de oxigênio no subúrbio de Saqba, Damasco. Foto: ReutersSírios tentam identificar corpos depois de suposto ataque químico em Arbeen, subúrbio da Síria. Foto: APMenino que sobreviveu a suposto ataque químico chora em abrigo montado dentro de mesquita no bairro de Duma, Damasco. Foto: ReutersHomem e mulher velam corpos de sírios após suposto ataque com gás venenoso lançado pelas forças do regime de Assad. Foto: APJovem que sobreviveu a suposto ataque químico chora dentro de mesquita em bairro de Duma, Damasco. Foto: ReutersHomem, afetado pelo que ativistas dizem ser gás neurológico, respira com ajuda de máscara de oxigêneo em subúrbio de Damasco. Foto: ReutersImagem fornecida pelo Comitê Local de Arbeen mostra corpos de sírios enfileirados em Arbeen, Damasco. Foto: APSegundo ativistas da oposição, armas químicas teriam matado centenas. Foto: BBCSírios colocam corpos de vítimas de suposto ataque químico em vala comum em Hamoria, área nos subúrbios a leste de Damasco. Foto: Reuters


Obama reconheceu a divisão na comunidade internacional e em seu país em relação a um ataque militar contra o regime sírio, mas fez um novo apelo à comunidade internacional, afirmando que as armas químicas são uma ameaça global. "Não estou usando o argumento das armas químicas como desculpa para ação militar. Passei os últimos anos tentando reduzir o uso do arsenal. Mas sei também que há momentos em que temos que decidir se vamos agir pelo que nos preocupamos", disse o presidente norte-americano.

Com AP, Reuters e Agência Lusa

Leia tudo sobre: armas químicassíriamundo árabeprimavera árabeobamag20assadalemanhaangela merkel

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas