Semana em que judeus marcam momento da criação da ordem universal é marcada por iminência de ataque à Síria

No calendário adotado no mundo cristão, estamos no ano de 2013. Na noite de quarta-feira (5), os judeus comemoram a entrada de 5774, o ano novo judaico, que, na sua concepção original, é contado a partir do momento em que Deus "Elohim" (um de seus muitos nomes) criou a ordem universal a partir do que existia até então - o "tolvavol", em hebraico, o caos.

Nahum Sirotsky: Israel vive tensão enquanto EUA planejam ação militar

Menino judeu sopra shofar, nas margens do Mar Mediterrâneo, na cidade de Ashdod durante ano novo judaico (5/9)
Reuters
Menino judeu sopra shofar, nas margens do Mar Mediterrâneo, na cidade de Ashdod durante ano novo judaico (5/9)


Infográfico 1: O que está em jogo para o Oriente Médio com a guerra síria

Infográfico 2: Saiba como EUA planejam ataque militar contra a Síria

Daquela imensa confusão, surgiu o nosso mundo, a Terra, e surgiu Adão, o primeiro homem, e Eva, a primeira mulher. O nome Adão pode ser traduzido por terra. Eva, fazenda ou sítio.

É claro que essas datas de criação do mundo são expressões de crenças sem nenhuma conexão com a ciência, que vai comprovando que nosso universo existe há bilhões de anos, o homem e os animais há milhões, e não nos cabe aqui discutir suas verdades.

Secretário de Estado dos EUA: Provas mostram que Síria usou gás sarin

Análise: Em vantagem militar e com ONU , por que Assad faria ataque químico?

Existem inúmeros calendários pelo mundo, com formas variadas de compreender o tempo e todos eles comemoram o ano novo. Mas o que é claro é que nenhum deles cumpre a vontade do Senhor no dia da criação em relação ao cuidado com a Terra. A ciência chega aos limites do desrespeito da ordem existencial, das mudanças climáticas e de todos os fenômenos naturais, inclusive das relações entre os seres.

Um exemplo nas primeiras páginas noticiosas é a matança que ocorre na guerra civil síria, que já teria causado 100 mil vítimas e a fuga de milhões de seus habitantes para os países muçulmanos vizinhos, onde sobrevivem em tendas, barracas, esperando pela paz e retorno aos seus lares.

Entenda: Saiba o que é o sarin, arma química que teria sido usada na Síria

Saiba mais sobre as armas químicas da Síria: Irã ajudou a produzir arsenal

País algum interferiu para tentar a pacificação, até porque não existe uma unidade dos grupos rebeldes, que incluem desde a Al-Qaeda até movimentos democráticos. Várias vezes, Obama e outros líderes do mundo ocidental afirmaram que o presidente sírio, Bashar Al-Assad, precisava renunciar, mas isso não levou a mudanças reais. Então, houve um suposto ataque químico contra redutos rebeldes sírios, causando horríveis mortes.

Obama anunciou, por intermédio de seus porta-vozes, que tinha provas de que o presidente sírio havia cometido um crime previsto nas leis de guerra há mais de 100 anos, anterior a todas as armas de destruição em massa criadas desde então, como as nucleares. Em Israel, precipitou-se uma corrida por defesa de armas químicas, como as máscaras antigás. Baterias de armas antiaéreas foram colocadas em pontos estratégicos da fronteira com a Síria.

Galeria de fotos: Veja imagens do suposto ataque químico na Síria

Os povos se reuniram diante de suas respectivas emissoras de televisão para aguardar o discurso de Obama, no qual era esperado que ele anunciasse o ataque punitivo à Síria pelo uso de armas químicas. No final das contas, o presidente americano afirmou que nenhuma ação seria adotada sem a aprovação do Congresso . A reação da massa árabe, em geral, conforme se viu em muitas de suas mídias, foi a de que o recúo refletia o receio do que poderia acontecer em seguida.

Homem e mulher velam corpos de sírios após suposta ataque com gás venenoso lançado pelas forças do regime de Assad
AP
Homem e mulher velam corpos de sírios após suposta ataque com gás venenoso lançado pelas forças do regime de Assad

Obama está agora em São Petersburgo , em uma reunião dos principais países ocidentais, e tenta obter o maior número possível de apoiadores para a ação contra o governo Assad, que considera obrigatória para a honra de seu país e do mundo civilizado.

Quarta: Comissão do Senado dos EUA autoriza ação militar na Síria

Um ataque a Assad, de iniciativa americana, é muito provável, mas nada mudará a impressão deixada por Obama no mundo árabe pela mudança de rumos na última hora. Foi perdida sua fama de decisivo e determinado.

Com colaboração de Nelson Burd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.