Obama reconhece divisão no G20 sobre Síria e anuncia pronunciamento na terça

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente dos EUA fez reunião surpresa com Vladimir Putin, à margem da cúpula do G20, encerrada nesta sexta

O presidente dos EUA, Barack Obama, reconheceu as profundas divisões na comunidade internacional e em seu próprio país nesta sexta-feira (6) em relação ao seu pedido por ação militar na Síria - e admitiu a possibilidade de que fracassará em conquistar a opinião pública americana. Ele se recusou a dizer se agiria sem o apoio do Congresso pra retaliar o suposto uso de armas químicas pelo regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

G20 dividido: Obama busca apoio internacional para ataque à Síria

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, concede coletiva ao final da reunião do G20 em São Petersburgo, Rússia

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Infográfico 2: Saiba como EUA planejam ataque militar contra a Síria

Preparando-se para uma intensa semana de lobby em Washington em relação à resolução que apoia o ataque, Obama disse que planejou fazer um pronunciamento à nação dos EUA na noite de terça-feira. "É concebível que no final do dia eu não consiga persuadir a maioria dos americanos que essa é a coisa certa a se fazer", reconheceu. "Então, cada membro do Congresso terá que decidir."

Ele também fez um novo apelo à comunidade internacional, afirmando que as armas químicas são uma ameaça global. "Não estou usando o argumento das armas químicas como desculpa para ação militar. Passei os últimos anos tentando reduzir o uso do arsenal. Mas sei também que hpa momentos em que temos que decidir se vamos agir pelo que nos preocupamos", disse.

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Antes da coletiva concedida ao final da reunião do G20, Obama fez uma reunião surpresa de cerca de 30 minutos com o presidente russo Vladimir Putin, um opositor à ação militar dos EUA. Putin, um forte aliado de Assad, disse que a conversa com Obama se concentrou na questão síria. Apesar de discordarem, segundo o líder russo, o encontro foi "substancioso e construtivo".

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Obama acrescentou que teve uma "cândida e construtiva conversa" com Putin, embora eles discordem sobre como responder ao uso de armas químicas na Síria. 

Na coletiva, Obama aparentava sentir o peso do desafio em convencer os americanos, a comunidade internacional e o Congresso para apoiar uma ação militar. Mas ele expressou confiança de que o povo dos EUA e os legisladores o ouviriam. "Eu confio que os meus eleitores querem que eu ofereça meu melhor julgamento. É por isso que me elegeram. É por isso que me reelegeram", disse.

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Ele afirmou que não poderia alegar com certeza que havia uma ameaça direta aos EUA pelo uso de armas químicas na Síria. Mas ele insistiu que a ação era necessária para manter as proibições contra o uso de armas de destruição em massa.

Dez membros do G20 se uniram aos EUA em comunicado conjunto acusando o governo sírio de ser o autor do ataque químico em 21 de agosto contra civis nos subúrbios de Damasco. O comunicado, entretanto, não pede explicitamente por uma ação militar contra a Síria. Os países que assinaram o comunicado com os EUA eram: Austrália, Canadá, França, Itália, Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Espanha, Turquia e Reino Unido.

Comunicado: Onze países do G20 culpam regime sírio por ataque químico

Buscando garantir apoio em Washington, o governo Obama planeja outra reunião a portas fechadas a todos os legisladores na segunda-feira à noite após o retorno do Congresso do recesso de verão.

Embora pesquisas tenham mostrado que um significativo número de deputados republicanos e democratas se opõem à ação militar, autoridades na liderança insistiram que foi prematuro dizer que a resolução não será aprovada. Até o momento, apenas um terço dos parlamentares da Câmara dos Representantes e do Senado participaram de reuniões com Obama, que continua a fazer contato com os congressistas.

Obama disse que ele e outros líderes na cúpula do G20 tiveram uma discussão "cheia de pontos de vista sobre a questão" durante o jantar de três horas na noite de quinta-feira. Ele afirmou que os líderes foram unânimes em acreditar que armas químicas foram usadas na Síria e que as normas internacionais contra o uso devem ser mantidas. Obama acrescentou que as divisões estão relacionadas à necessidade da busca de ação através da ONU.

AP
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de coletiva após reunião do G20 em São Petersburgo, na Rússia

Putin afirmou que a pressão dos EUA por ação militar é apoiada apenas pela Turquia, Canadá, Arábia Saudita e França. Putin acrescentou que a chanceler alemã Angela Merkel tomou "uma atitude muito cautelosa".

Ele disse que muitos outros, assim como a Rússia e a China, se colocaram contra a ação militar, incluindo o Brasil, a Índia, a Argentina, a Indonésia, a África do Sul e a Itália. "O uso da força contra uma nação soberana só é possível como autodefesa - e a Síria não atacou os EUA - e sob aprvação do Conselho de Segurança da ONU", disse Putin. "Aqueles que fazem o contrário se posicionam fora da lei."

Como ilustração dos riscos associados ao ataque, o Departamento de Estado dos EUA ordenou que seus diplomatas não essenciais deixem o Líbano.

Com AP

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