EUA teriam programa para quebrar códigos criptografados da internet

Por iG São Paulo |

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Agência de segurança teria violado sistemas de privacidade comuns na internet, como serviços bancários e emails

A Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, sigla em inglês), trabalhando em conjunto com o serviço de inteligência britânico, teria desenvolvido secretamente a capacidade de violar ou burlar a criptografia usada habitualmente na internet para proteger emails ou transações financeiras, informaram reportagens que citam documentos obtidos por Edward Snowden, ex-funcionário terceirizado da NSA.

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AP
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Os jornais britânico The Guardian, norte-americano New York Times e a entidade ProPublica informaram nesta quinta-feira (6) que a NSA, junto ao centro de comunicações do governo britânico (GCHQ, na sigla em inglês), usou vários meios - do uso de supercomputadores e da implantação de "portas dos fundos" em produtos e serviços populares na internet até mandados judiciais secretos e manipulação de processos internacionais - para o estabelecimento de padrões de encriptação.

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As tecnologias de criptografia quebradas são utilizadas em serviços populares da internet, como Google, Facebook e Yahoo. A operação do governo americano foi batizada de Bullrun, em referência à primeira batalha da guerra civil americana, enquanto o programa homólogo britânico é chamado Edgehill, a primeira batalha da guerra civil inglesa.

Os relatórios mostrariam que a agência americana se concentra na criptografia usada em smartphones, emails, compras online e redes de comunicação remota para negócios. Snowden, que recebeu asilo na Rússia, teria revelado dados sobre a Bullrun dando conta de que a NSA tem construído poderosos supercomputadores para tentar quebrar a criptografia, tecnologia que codifica e embaralha as informações pessoais quando os usuários de internet acessar vários serviços.

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A NSA também teria colaborado com empresas de tecnologia para construir as chamadas "portas dos fundos" de softwaers produzidos por estas companhias, o que daria ao governo acesso a informações do usuários antes que estas sejam criptografadas e enviadas pela internet.

Além disso, os serviços de inteligência fizeram uso de "ordens judiciais e persuasão nos bastidores para minar as principais ferramentas que protegem a privacidade das comunicações cotidianas", afirma o New York Times. Os EUA supostamente começaram a investir bilhões de dólares no programa em 2000, após esforços iniciais para instalar "portas dos fundos" em todos os sistemas de criptografia terem sido frustradas.

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Na década seguinte, a NSA teria empregado computadores de quebra de código e começado a colaborar com as empresas de tecnologia americanas e no exterior para construir pontos de acesso a seus produtos.

Os documentos fornecidos ao Guardian por Snowden não especificam quais empresas participaram do esquema. Para invadir computadores e capturar mensagens antes de serem criptografadas, a NSA teria utilizado ampla influência para introduzir fraquezas em padrões de criptografia usados pelos desenvolvedores de software em todo o mundo, noticiou o New York Times.

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Quando analistas de sistema britânicos souberam da extensão do programa teriam ficado "chocados", de acordo com um memorando entre os mais de 50 mil documentos compartilhados pelo Guardian.

Funcionários da NSA continuaram a defender as ações da agência, alegando que os EUA estariam em risco considerável se mensagens de terroristas e espiões não fossem decifradas. Mas alguns especialistas argumentam que tais esforços podem, na verdade, prejudicar a segurança nacional, observando que as portas traseiras inseridos em programas de criptografia poderiam ser exploradas por aqueles que estão fora do governo.

Este é o mais recente de uma série de vazamentos de informações de Snowden, que começou a fornecer cópias de documentos confidenciais do governo aos meios de comunicação em junho. Os EUA querem a extradição de Snowden, que tem asilo temporário na Rússia.

Com Reuters e BBC

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