Embaixador dos EUA deixa Brasil em meio à denúncia de espionagem de Dilma

Por Agência Brasil |

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No cargo há mais de três anos, Thomas Shannon será substituído por Liliana Ayalde, que serviu no Paraguai

Agência Brasil

Após três anos e meio em Brasília, o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, deixa oficialmente na sexta-feira (6) seu posto, como estava previsto. A saída ocorre no momento em que o governo brasileiro cobra os EUA por informações detalhadas sobre as denúncias de espionagem a dados pessoais da presidente Dilma Rousseff, de assessores e cidadãos do país. Em substituição a Shannon, assumirá Liliana Ayalde, que serviu no Paraguai.

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A diplomata chega ao Brasil no próximo dia 15, segundo a embaixada norte-americana. Shannon segue para os EUA, onde será assessor especial do secretário de Estado John Kerry. Fluente em português, Shannon demonstrou atenção aos temas locais. A substituição foi anunciada há três meses.

Embaixador no Brasil desde fevereiro de 2009, nos últimos dias, Shannon foi convocado por duas vezes ao Ministério das Relações Exteriores para prestar explicações sobre as denúncias de espionagem, por agências norte-americanas, às comunicações internas do Brasil. Na semana passada, o embaixador passou cerca de meia hora com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado.

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Na conversa, Figueiredo cobrou explicações “formais e por escrito” até o fim desta semana. “Convoquei o embaixador dos Estados Unidos ao meu gabinete e disse a ele da indignação do governo brasileiro pelos fatos que constam dos documentos revelados, das violações de correspondências da senhora presidenta.”, ressaltou Figueiredo que, em seguida, reuniu-se com Dilma no dia 2 de agosto.

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Na reunião com Shannon, Figueiredo disse também que as suspeitas sobre o Brasil envolvendo riscos à democracia e solidez do Estado são inadmissíveis. “O Brasil é um país democrático, um Estado sólido, em uma região democrática e sólida, que busca a convivência com seus parceiros de forma amistosa. Não se pode admitir nem em sonho que é um país de risco ou problemático”, disse.

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O governo brasileiro classificou o episódio como inadmissível e inaceitável, expressões usadas tanto por Figueiredo quanto pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. As denúncias colocam em risco ainda a possibilidade de viagem de Dilma, com honras de chefe de Estado, aos Estados Unidos, em 23 de outubro.

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