Ariel Castro, sentenciado à prisão perpétua, morreu em sua cela; ele não estava sob vigilância contra suicídio

O homem condenado por manter três mulheres em cativeiro em sua casa em Cleveland, Ohio, por quase uma década foi encontrado morto e acredita-se que ele tenha cometido suicídio, informaram policiais nesta quarta-feira (4).

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Ariel Castro é visto de pé perante juiz durante denúncia judicial em Cleveland, Ohio (17/7)
AP
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Ariel Castro, 53 anos, foi encontrado enforcado em sua cela por volta das 21h20 (22h20 em Brasília) de terça-feira (3), informou JoEllen Smith, a porta-voz do Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio.

Equipes médicas da prisão tentaram ressuscitá-lo com massagem cardíaca antes de transportá-lo ao hospital, onde ele foi dado como morto por volta das 22h50 (23h50 em Brasília).

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Ele estava sob proteção na prisão por causa da notoriedade de seu caso, o que significa que ele era observado a cada 30 minutos, mas não estava sob vigilância especial contra suicídio, que implica em observação constante.

Os advogados de Castro tentaram, sem sucesso, fazer um exame psicológico em seu cliente após sua condenação, informou Jaye Schlachet,  seu advogado, à agência Associated Press.

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Em entrevista concedida no mês passado, após a condenação de Castro, Schlachet e o advogado Craig Weintraub disseram que seu cliente se encaixava no perfil de um sociopata e que esperavam que pesquisadores o estudassem para obter embasamento para impedir outros como ele de agir.

As três mulheres desapareceram separadamente entre 2002 e 2004 quando tinham 14, 16 e 20 anos de idade. Elas deixaram a casa de Castro em 6 de maio, quando Amanda Barry, uma das três raptadas, conseguiu arrebentar parte de uma porta e gritar por ajuda aos vizinhos. "Me ajudem", disse ela em uma ligação de emergência para a polícia . "Eu fui sequestrada e estou desaparecida há 10 anos e estou, estou aqui, estou livre agora."

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As outras duas mulheres estavam com tanto medo de Castro que ficaram nos fundos da casa mesmo depois que os policiais entraram no local. Logo depois, elas perceberam que estavam livres. "Você nos salvou. Você nos salvou", outra das raptadas, Michelle Knight, disse a um policial.

Assista ao vídeo:

Castro foi preso na mesma noite. Ele também era pai da filha de Amanda Berry de 6 anos de idade, nascida no cativeiro. Um juiz rejeitou o pedido de Castro de ter direitos que sua filha o visitasse na prisão.

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O choque logo após o resgate das três mulheres aumentou depois que surgiram detalhes sobre as condições do cativeiro em que foram mantidas. Investigadores afirmaram que elas ficavam acorrentadas por longos períodos , foram estupradas repetidamente e eram impedidas de se alimentar algumas vezes. Michelle Knight contou aos investigadores que quando ficou grávida, Castro bateu nela diversas vezes até que ela abortasse.

Castro foi condenado em 1º de agosto à prisão perpétua por centenas de acusações incluindo sequestro e estupro. Em comunicado, ele afirmou ao juiz que não era um monstro, mas um homem viciado em pornografia. "Não sou um monstro. Sou doente", disse Castro no dia da leitura de sua sentença.

Michelle Knight foi a única das três raptadas a comparecer ao tribunal no dia da condenação de Castro. "Você levou 11 anos da minha vida embora, e eu tive eles de volta", ela disse na corte. "Eu passei 11 anos no inferno. Agora, seu inferno está apenas começando."

Com AP

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